confraria dos pequenos prazeres para jovens de 30

Gosto da ideia das confrarias, de gente que se reúne em torno de um prazer comum, para o apreciar. As minhas favoritas são as que se reúnem por causa de uma coisa boa, de comer ou de beber, precisamente para a comer ou beber. E ainda gosto mais por serem perversões do conceito original de confraria – que era absolutamente religioso e que tinha como objectivo a adoração de um santo (para mais sobre este assunto dos prazeres e transgressões, ver os comentários deste post da Rita). Hoje adora-se o pastel de nata, o vinho do Porto, o queijo da Serra, que os santos têm graça mas a malta é dos prazeres mais imediatos, que os outros só se adivinham e não têm cheiro e muito menos sabor.

Eu sempre gostei mais das coisas pequenas do que das grandes. Dos pequenos prazeres inúteis, aqueles que me encheram os dias durante muitos anos. E quero fazer a confraria das pastilhas Gorila, dos guarda-chuvas Regina e do Toffee Crispy. Dos bolos de arroz, dos pães de deus e dos queques com biquinhos. Daqueles canudinhos de bolacha que vinham com o gelado, dos corn flakes do galo e dos queijinhos da vaca. Das cadernetas de cromos, do subir às árvores, do saltar à corda, da macaca e do elástico. Dos ministars, dos onda chock, do bando dos gambuzinos e do avô Cantigas. Do conduzir ao colo do pai, nós no volante e ele nos pedais. Das intermináveis viagens para todo o lado, das histórias inventadas no carro, dos jogos para passar o tempo que não tinham botões nem pilhas.

Pode ser a confraria das palas no cabelo feitas com água e sabão, dos cabelos esticados com ferro da roupa, dos campos de férias e das canções inventadas que se colam à memória com a força das chicletes ao cabelo.

E quero fazer a confraria dos bonecos do Vasco Granja, do Zarabadim e da Árvore dos Patafúrdios. Do Clube dos Poetas Mortos, dos livros de Uma Aventura, das Gémeas e dos Cinco. Do pendurar de cabeça nas estruturas de ferro dos parques, de andar de baloiço tão alto que os pés quase tocam nas folhas das árvores, de esfolar os joelhos todos os dias e não doer nada.

Quero fazer a confraria dos pequenos prazeres que já não há. Dos que não fizeram revoluções, que não nos fizeram mais e melhores, mas que nos fizeram felizes.

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4 thoughts on “confraria dos pequenos prazeres para jovens de 30

  1. rita maria diz:

    Eu também queria fazer uma grande (a confraria do sarrabulho, mas acho que já alguém se adiantou), mas também alinho nas pequeninas, especialmente na da Enid Blyton! E na da Regina, mas isso já tem outros motivos que ainda não posso partilhar…

  2. Mariana diz:

    Era de todas as pequeninas, assim em conjunto, para fazer uma confraria grande.

  3. Izzie diz:

    Alinho na confraria dos queques com biquinhos, bonecos do Vasco Granja, cuarda-chuvas regina, toffee crisp, Enid Blyton, cromos sem autocolante, e mais outras que entretanto me lembrar 😀

    • Mariana diz:

      E depois comemos os queques um biquinho de cada vez 🙂
      Anda por aí um rumor de que o toffee crisp está de volta, que já se encontra em algumas bombas de gasolina. Ainda não o vi, mas o primeiro que eu apanhar…

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