síndrome de peter pan

Dizem que o crescimento é um processo contínuo e gradual e eu até acredito. Mas acho que só nos apercebemos disso por fases, o que implica que para nós que crescemos nos pareça que o fazemos em degraus. Decidir ter um filho é um degrau muito, muito grande. Mais do que juntar livros e contas, mais do que assinar papéis e comprar casa e dizer que é para sempre – ter um filho é passar a ser crescido.

Neste passo, toda a gente ganha um novo nome, daqueles que trazem um peso de anos. Nós passamos a ser pais, os pais passam a avós. E de repente parecemos todos mais velhos. Nós, que até estávamos ali paradinhos, que até parecia que não acrescentávamos anos aos anos. E eu, eterna angustiada com esta coisa de me acabar e de eles se me acabarem, fico com vertigens deste degrau maior que todos os outros degraus.

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7 thoughts on “síndrome de peter pan

  1. Izzie diz:

    Sou muito catraia, nunca subi esse degrau. Durante seis meses na minha vida pensei que sim senhora, que queria, e depois a vida deu uma volta, e afinal percebi que não queria, estava a querer o que os outros achavam que se deve querer.
    É uma decisão muito importante, individual e a dois. Não é para todos (não é para mim) e para quem se atira só tenho a dizer: força. Ama-o(a) muito, dá-lhe beijinhos e abraços todos os dias, fá-lo(a) sentir único e especial nos teus braços. É uma decisão muito importante, e acho que as vertigens fazem parte 🙂

    • Mariana diz:

      Sim, também concordo. Acho que não ter vertigens é que é estranho, porque só pode querer dizer que não se pensou na dimensão e na permanência da coisa.
      A parte do amor e do fazê-l@ sentir-se especial acho que está garantida. Assusta-me mais a formação de uma pessoa, capaz de tomar decisões e de ser cidadã do mundo. É uma responsabilidade que assusta.
      E também me assusta, confesso, a perda de liberdade. Não poder fazer uma mala e ir para qualquer lado uns dias, assim de improviso. Ou um dia não jantar, porque não me apetece cozinhar e nem sequer temos assim tanta fome. A espontaneidade da vida vai-se um bocadinho.

    • Mariana diz:

      E também tenho um bocado de medo de querer o que se deve querer. O meu relógio biológico disparou violentamente ali no início dos vintes e depois ficou mais caladito. Só que também sei como sou, uma cagarolas nisto dos grandes saltos. Acabo por não fazer coisas interessantes e importantes por causa disso – de muito menor dimensão, que nunca fiz nada do tamanho desta. E fico assim, num salto, não salto eterno. Também não pode ser.

      • Izzie diz:

        Acho que teres noção de tudo o que envolve, e todas estas preocupações, não significam impreparação mas sim maturidade. Só os tolinhos ou inconscientes se atiram de cabeça para a procriação, e os filhos destes, bom, às vezes pagam as favas. Pensar nas coisas revela inteligência. E mais cedo ou mais tarde tens a tua resposta, e depois fazes o que muito bem entenderes. Tenho a certeza que vais seguir o TEU caminho, e que seja ele qual for, vai correr bem.

        E olha que não é fácil assumir, perante os outros e até perante si próprio, que não queremos. Andei vinte anos a dizer “ainda não”, a certa altura apercebi-me que era “não”, e as outras pessoas também. Aos quarenta já não me chateiam tanto nem me apontam o arrependimento futuro, ao menos isso. Brinco muito com o assunto, mas ter tomado consciência que não sou mother material é importante. Não foi só cagarolice, mas também em parte, admito. Não foi é por egoísmo ou comodismo, uma das grandes tretas que apontam a quem não quer ter filhos.

        Resumindo, o importante é não te ficares por medo. Ter medo faz parte, acho eu.

      • Mariana diz:

        Eu admiro muito quem tem a coragem de dizer que não quer porque sei que enfrenta muita gente que não compreende. E também me passou pela cabeça o e se eu não quero.
        E concordo, ter medo faz muito parte.

        (como é bom ter desse lado pessoas como tu, Izzie. Amo você *)

  2. Filipa diz:

    O medo está implícito na decisão. Faz parte do processo de amadurecimento da ideia/pessoa. Como dizes, deve ser SÓ a decisão mais importante que um casal pode tomar.
    Mas também já percebi que se pensarmos muito no assunto vamos estar sempre a adiá-lo. Porque o momento nunca parece ser o mais apropriado.

    (vai correr tudo bem! :))

    • Mariana diz:

      A mais importante, a mais permanente e aquela que vai garantir que nunca haverá outro dia de paz total na nossa vida, porque passará a haver uma pessoa que será o centro das preocupações.

      (contigo também 🙂 )

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