Monthly Archives: Julho 2012

coração habitado

Quanto mais penso nisso mais me convenço que só se casa em condições da segunda vez. O dia do meu casamento continua a ser o dia mais feliz da minha vida (esse e aquele em que entrei em medicina, pronto), mas há coisinhas várias que mudaria.

Da cerimónia não mudava uma vírgula, foi perfeita, toda construída por nós e por gente que nos quer muito. Foi uma cerimónia civil, com votos escritos por nós, pelos nossos pais e pelos padrinhos. Um coro de amigos cantou-nos ao coração. Foi o casamento mais pessoal e íntimo a que já assisti e tenho todo o orgulho disso.

Apesar de adorar o meu vestido, que não era branco nem feito de merengue, casava-me numa coisinha mais simples e, sobretudo, mais confortável e fácil de transportar. Não tinha caudas nem véus, mas tinha um saiote saído de um arsenal de tortura medieval. E teria escolhido sandálias rasas, possivelmente de couro entrançado. O meu marido chamar-lhes-ia hippies, mas acrescentaria que eram a minha cara. Teria levado o cabelo solto e não semi-amarrado. Teria passado algumas fantochadas, muito poucas. Nada de copos de champanhe enlaçados ou aberturas formais do baile. Mas teria feito a parte da festa exactamente como foi.

Podia ter mudado várias coisas na minha boda, mas no casamento, quase a fazer seis anos, não mudava absolutamente nada. E isso faz com que tudo o resto desapareça.

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estar de férias deixa-me sem histórias

Podia falar-vos dos dois trolhas que tive cá em casa hoje a fazer-me meio muro no terraço. Os mesmos que estiveram cá no Verão passado a pintar-me a casa. A um deles vi os boxers todos os dias, sempre que se baixava. Estive para lhe oferecer um cinto, mas acho que era estilo. Pelo sim pelo não, este ano fechei-me na sala com os gatos.

manifesto, carta de intenções, rumo deste barco

Há coisas que escrevo aqui de que me arrependo, quantidades de tempo variáveis depois. Que, por instinto, quero apagar. Mas o acordo que fiz comigo diz que este é um registo do que me passa pela cabeça, sem filtros. Alturas haverá em que serão coisas interessantes, curiosas, com significado. Outras (muitas, se calhar) serão só disparates, pensamentos sem nexo, asneiras, coisas idiotas. Mas decidi que é assim que eu o quero, pronto. Não lamento se não tenho todos os dias coisas novas e profundas para partilhar. Ou se não sou interessante todos os dias. Sem filtros, sou assim. Inteligente e engraçada às vezes, chata e idiota pelo menos outras tantas. Pronto.

all restaurants are alike, como os animais da quinta do outro

A moda Primavera/Verão 2012 nos restaurantes in do Porto é o gelado de queijo de cabra. Deve ser um nojo, mas é gira, a ideia. Podia era não ter espalhado como fogo em palha seca.

contexto é aquela coisa da string theory, né?

Porque é que uma série sobre um tipo de 20 e tais que gasta o dinheiro todo em parvoíces, põe nódoas no sofá porque sim e insulta toda a gente é idiota, mas se for uma mulher de 40 com cancro já é ternurenta e credível, coitada, afinal está só a aproveitar a vida?

ten fingers and ten toes

É sempre assim quando tu não estás, arrasto as horas noite dentro a pensar em nada e no que me faz mal, parece que é de noite que os pensamentos têm mais força e empurram as tampas dos sítios onde os fechamos para podermos funcionar. Troco os sonos e quando finalmente apago a luz vejo fantasmas nos cantos e ouço ladrões nos estalidos da casa. Acordo cansada, faço as contas para ver se já são horas de te dar um beijo. Durmo melhor sozinha, eu e os gatos na cama gigante e vazia, mas durmo sempre pior sem ti.

eu sei que não casei pela igreja, mas não é suposto ele ser omnisciente?

ou porque é que nunca me lembro das boas respostas no momento certo

Tocam à campainha, são duas testemunhas de Jeová. Muito obrigada, não estou interessada. Mas ele está interessado em si! Se calhar é melhor dizer-lhe que eu sou casada. Não cometerás adultério não era um dos 10 mandamentos?

da importância do equilíbrio

No espaço de 10 minutos, mandaram-me um piropo e chamaram-me senhora. No fim das contas, voltei para casa com o ego no mesmo nível em que estava quando saí.