Monthly Archives: Agosto 2012

endorfinas só se for com chocolate

Fui de férias a acreditar que ir três semanas para o outro lado do mundo, mochila às costas e tudo o que vem com a experiência ia fazer de mim uma pessoa nova. Acredito frequentemente nisso, que hei-de voltar de alguma coisa ou algum lugar uma pessoa diferente naquelas coisas de que não gosto em mim. A mais frequente ilusão é a do exercício físico. Acreditei que voltaria alguém com vontade de correr. Aquela coisa que me dá cabo dos joelhos, me põe cor de beterraba ao fim de 5 segundos (I kid you not e não é da falta de forma) e me faz perguntar a cada passo que raio faço eu ali.

Contextualizando: sou uma pessoa que já fez 46 desportos diferentes na vida, quase todos por menos de 1 ano. Dois deles por mais, um por imposição parental, outro por gosto verdadeiro. Mas nunca na vida experienciei o mito urbano do rush de endorfinas que, supostamente, vem depois de uma sessão intensa de exercício físico. Menos ainda o prazer, a satisfação, de me ter esforçado muito, suado mais e estar quase a cair para o lado, só porque é bom e faz bem. Desconheço o que seja sentir o corpo a queixar-se por não fazer mais exercício. Nunca me habituei, nunca lhe ganhei o gosto, nunca senti prazer.

Mas adoro quando acaba. Enfiar-me no banho turco do ginásio, tomar um duche fresco, sair dali rapidamente. Tudo o resto só podem ser coisas inventadas pelo lobby dos ginásios, fabricantes de sapatilhas e/ou bebidas para desportistas. E eu, que sou um bocado invejosa de quem acredita que correr é uma coisa gira e sabe bem, vou ter de aceitar que nunca vou pertencer a este clube de gente maluca e iludida. Deve haver coisas piores.

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dos raros dias em que ser mais gaja me tinha dado um jeitaço

ou de como sou mesmo da geração pronto a vestir

Fiz um vestido por medida na terra da costura em 24h. Assenta-me maravilhosamente bem, a cor é muito bonita.  Demorei três anos a escolher modelo, alterações, corte e tecido e no fim não ficou nada do que eu queria. Provavelmente porque fui para lá sem saber bem o que isso era, sem saber distinguir um pano do outro, sem saber mais de costura que remendar um buraco ou coser um botão.

Tivesse eu mais 20 anos e era um vestido incrível. Paciência. Umas bolas de naftalina e já tenho vestido para quando acabar a especialidade.

atravessar continentes por uma ilusão

What he needed now was to be elsewhere, in a place where he could be free of his memories.

Sea of Poppies, Amitav Gosh

apanhar o supersónico em andamento

ou canseiras dos tempos modernos

A coisa mais demorada de voltar de férias não são as sucessivas máquinas de roupa que é preciso fazer, o correio acumulado para ler e tratar, as compras e as arrumações. É ler os 2.000 posts que se acumularam no reader nas 3 semanas em que estivemos fora. Juro que nunca mais me queixo que a blogosfera fica meia morta em Agosto.

back to the future

Amanhã volto para o mundo onde a minha mãe já não existe.

galeria dos pequenos ódios

Quem inventou o jet lag devia ser emparedado vivo, ao lado do senhor da pizza com ananás.

voamos amanhã

Friozinho na barriga.

feedbackem-me

Se pudessem levar um só livro para três semanas, qual escolhiam? Porquê?