complexo divino

Dizem que os médicos são seres arrogantes e eu acredito. A muitos falta humildade, capacidade empática, espírito de serviço. Uma das minhas piadas favoritas é a que pergunta sobre a diferença entre um médico e deus e responde que deus não tem a mania que é médico.

Mas, pensava eu, claramente enganada, que esta coisa da arrogância só lhes entrava pelos poros a pulso, fruto da experiência e do incrível que deve ser salvar algumas vidas. Ou, vá, que lhes podia dar no início, ao entrar no curso melhores alunos deste mundo e arredores, para lhes ser depois arrancado a ferros pelos verdadeiros campeões da coisa que lhes dão aulas todos os dias, desaparecendo por uns anos para voltar, então, com a prática.

Espanto-me todos os dias com a inocência do meu engano. Se eu, que acredito piamente que a minha camisola é verde, ouvir alguém a quem reconheço muito mais experiência e sabedoria dizer que é vermelha, vou acreditar. Posso bombardeá-lo de perguntas, encher-lhe os ouvidos até perceber, mas vou acreditar. Não me vou embora a dizer que o senhor hoje não está bom da cabeça, então a camisola não é obviamente verde, numa arrogância que já devia ter desaparecido ou ainda não devia ter regressado.

Tenho muito medo de futuros médicos assim.

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7 thoughts on “complexo divino

  1. A humildade é boa em todas as profissões, mas no início de carreira é ainda mais fundamental.

  2. Vespinha diz:

    Ha cada vez menos humildade hoje em dia… e o pior é que muitas vezes não a vejo precisamente em quem devia tê-la. Mas enfim…

  3. Filipa diz:

    Infelizmente, nem só os médicos sofrem desse “mal”. A humildade é uma das características que mais aprecio nas pessoas, Mas falo de humildade verdadeira e não daquele espirito “coitadinho”.

  4. Maria Bê diz:

    Tu vais ser tão mas tão mas tão fantástica!!!! É um privilégio conhecer-te, sabes? Um ainda maior abraçar-te.
    Sorriso!

  5. Izzie diz:

    É uma maneira de ser muito perigosa, em qualquer profissão. Todos nós podemos ter muita repercussão na vida dos outros. No vosso caso pode ser a diferença entre a vida e a morte, e só isso deveria ser suficiente para reduzir os “aprendizes” à sua insignificância.
    Olha, eu quanto mais vivo mais me apercebo do muito que ainda tenho para aprender. E acho que não tenho tempo para isso.

    • Mariana diz:

      Também eu. Há tanto que eu não sei! Ainda hoje pensava nisso. O semestre quase a acabar, agora que eu começava a arranhar um bocadinho a superfície do muito que ainda não sei. Que treta, parece que andamos sempre a correr atrás do conhecimento e ele a fugir!

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