Monthly Archives: Janeiro 2013

the cat is out of the bag

Vai uma pessoa à faculdade de fugida, inscrever-se rapidinho num exame (que é, a propósito, a única coisa que não se pode fazer via internet na minha faculdade; pagar propinas? fachavor! inscrição em horários? obviamente. um teste ou outro? por que não? ah a burocracia! ah o complicómetro! ah o sistema!), quando se lembra, olha, já que aqui estou… Desculpe, queria também saber de que preciso para pedir estatuto de grávida. De quê? De grávida, repete a delinquente baixinho. Ah isso é ali com a Genoveva*, Ó GENOVEVA*, ESTA MEN… SENHORA QUER SABER COMO É PARA PEDIR ESTATUTO DE GRÁVIDA, de uma ponta da secretaria para a outra como se daqui para o Algarve sem telefone. DE QUÊ? DE GRÁVIDA! AH, JÁ VOU HERMENGARDA*.

Entretanto, com as outras 147 pessoas já a olhar para mim, vem ela de pasta na mão, pronta a esclarecer-me. ESTÁ NO SITE! Não encontrei, desculpe… MAS ESTÁ! ÓRGÃOS DE GESTÃO. VOCÊS NÃO TÊM BEM ESTATUTO, SABE, SÓ PODEM FAZER EXAMES EM ÉPOCA ESPECIAL SE A NORMAL COINCIDIR COM O PARTO. Pois, e escolher horário primeiro e ter justificação de faltas. POIS, MAS ISSO NÃO É ESTATUTO, AS GRÁVIDAS NÃO TÊM ESTATUTO. E PRECISA DE UM ATESTADO MÉDICO. Pronto, muito obrigada. MAS AS GRÁVIDAS NÃO TÊM ESTATUTO E TEM DE ENTREGAR ISSO RÁPIDO POR CAUSA DOS HORÁRIOS.

Portanto, quisera eu esconder até a barriga não deixar e puft, esquece lá isso. Duas colegas do meu ano estavam lá naquele momento, pelo que presumo que seja só o tempo de pegar fogo à palha. Pelo menos ninguém vai pensar que estou é gorda.

*nomes alterados para proteger o anonimato destas senhoras claramente surdas, fofoqueiras e com falta de chá.
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em equipa que ganha não se mexe

Apetecia-me um pretzel, que é uma coisa que até costumo fazer bastante bem. Como ando a tentar aumentar a ingestão de fibras e com a mania de ser mais saudável, resolvi inventar e alterei um bocadinho a receita, para levar farinha integral misturada à branca. Pelo caminho esqueci-me do açúcar e agora estou aqui a comer arremedos de pretzel, fraquinhos fraquinhos e que não me tiram a vontade do verdadeiro. Dizem que o cérebro de grávida é uma coisa tipo queijo suíço e eu começo a acreditar.

das hipocrisias do nosso sistema de saúde

ou da diferença que fazem duas letrinhas apenas

Quando, em Abril, comecei a perder sangue e a suspeitar que a gravidez de então não ia evoluir, fui uma vez às urgências do hospital público da minha área de residência. Sem confirmarem nem desmentirem, que os médicos são gente que gosta pouco de se comprometer, discutimos o que se faria em caso de inviabilidade da gestação. Parece que nisto, como em tanta coisa, há filhos e enteados. Mas eu explico.

Se eu, na altura com 8 semanas de gestação, tivesse ido às mesmas urgências declarar a minha intenção de proceder a uma interrupção VOLUNTÁRIA da gravidez, tinham-me sido dados 3 dias para pensar, após os quais teria voltado lá e me teriam sido fornecidos comprimidos abortivos, para tratar do processo em casa. Era-me marcada uma consulta para acompanhamento x dias depois e lá me mandavam à minha vida, sem mais que uma recomendação para regressar à urgência em caso de hemorragia demasiado intensa (um conceito nada subjectivo, portanto).

No entanto, como eu, na altura com as mesmas 8 semanas de gestação, lá fui com uma gravidez não evolutiva, que implicava uma interrupção INVOLUNTÁRIA da gravidez (que é feita com os mesmos comprimidos abortivos), já não podia fazê-lo tranquila e sossegadamente de minha casa, tinha de ser internada.

Eu até vos explicava a diferença, além da vontade expressa de interromper vs. a obrigatoriedade de o fazer, mas sinceramente também não percebi. Parece que é protocolo, disseram-me. Eu esmiucei e acabaram por admitir que era para fazer um controlo melhor do risco hemorrágico e das dores. Ou seja, quem tem de interromper uma gravidez fá-lo sem dores e sem risco de hemorragia descontrolada, mas quem interrompe voluntariamente está entregue à sua sorte. E, como é protocolo, não há possibilidade de inverter os papéis (eu sei, eu tentei, porque sempre quis passar por tudo aquilo em casa, com o meu marido ao meu lado).

Se quisermos ser utilitaristas, podemos justificar esta postura como uma forma de contenção de custos – afinal, um procedimento é electivo e o outro é necessário. Podemos alegar que os contribuintes não têm obrigação de pagar o internamento, a analgesia e o controlo hemorrágico de uma mulher que se submeteu a um dado procedimento voluntariamente. Podemos argumentar muitas coisas, mas a mim, que ando a pensar nisto há quase 1 ano, vai continuar a soar-me a filha da putice. Não sei se é assim em todos os hospitais, mas no meu é. E não há nada, nada que devidamente o justifique.

mais do mesmo, todos os dias

Eu falava-vos de outras coisas além da gravidez, que isto não é um baby blog, mas é o meu blog e a verdade é que além da gravidez só há os exames que se até a mim que gosto disto me aborrecem de morte imagino a vocês, que não fizeram mal a ninguém. Também vos podia dizer da vontade com que ando de um copo de vinho tinto, bebido assim no quentinho a ver chover lá fora, mas não vale a pena porque parece que só lá para 2023 é que posso voltar a beber e para depressões já temos a crise e os novos escalões do IRS e a sobretaxa e a corja toda que nos governa.

Podia dizer-vos que já fui à caça dos soutiens da FigFort e que, vá lá, consegui dois menos maus para remediar e que bom, são 100% portugueses. Mas aviso já, a marca é jeitosa e de bons preços, mas sofre do mal geral: soutiens copas grandes são tendas de circo e só as pouco avantajadas é que têm direito a algodão, as outras levam sintético que se lixam.

Portantos olhem, a modos que perdoem-me lá as secas, que enquanto não houver assunto melhor será a barriga e a coisinha que a habita e pela qual me vou apaixonando um bocadinho mais a cada dia.

oh yes we did

Babies for dummies, que será, como se imagina, uma bíblia da puericultura, vem neste momento a caminho de nossa casa.

the waterworks

Já eu tinha perdido as esperanças de gerar uma espécie de cebola interna, que me pusesse à beirinha do precipício lacrimal à vista de qualquer coisinha fofinha nhonhozinha nojentinha quando me cai o segundo trimestre em cima. Ah gozavas? Estavas estragada, era? E queixavas-te? Então pega lá que é para aprenderes.

Ontem foi o Requiem para Auschwitz que a Helena partilhou, ou melhor, foi a ideia do Requiem, que ainda não havia música e já eu engolia em seco. Até pensava que se explicava, era o dia que era, o Holocausto sempre mexeu muito comigo. Mas sábado foi um coelho de peluche na Zara Home, por isso acho que só 40% das lágrimas de ontem estão historicamente justificadas.

a maravilhosa leveza de poder escolher

Podia entrar agora mesmo de férias e por lá ficar até dia 13 de fevereiro. Não vou, que me vou pôr a fazer uma melhoria no dia 4. Mas podia.

cruz aqui, visto ali

As memórias de elefante deviam vir com menu de definições e não com vontade própria. Dava-me muito mais jeito lembrar-me fotograficamente daquilo que estou a estudar hoje do que dos pormenores da oral de ontem, que passo em revisão ininterrupta na minha cabeça, acrescentando invariavelmente mais pontos negativos à minha prestação.