old habits die hard

Estou a entrar numa fase algo baralhada. Desde que me lembro que lutei contra a balança, tive problemas com o controlo alimentar, com o excesso de peso, com roupas apertadas. Agora tenho de comer de 2 em 2h e sinto-me gorda como não me sentia há anos. Eu sei, não é gorda, é grávida – até porque, verdade seja dita, peso ainda só ganhei na barriga e no peito, de resto estou igual. Mas é normal que a minha cabeça se sinta confundida. Afinal, tantos anos a odiar a barriga e agora de repente é suposto sentir-me feliz por ela estar a crescer? Não é fácil. Sinto-me gorda, sinto-me grande, sinto o meu perímetro abdominal aumentar a cada dia e não me sinto bem com isso. O facto de já ter alguma barriga antes faz com que a minha barriga actual não seja só do puto e se note mais do que o esperado para os quase 4 meses de gravidez que tenho. Não é fácil lidar com isso e imaginar que com 9 estarei com ar de grávida de gémeos. Não é fácil passar anos a tentar esconder a barriga e agora ser quase suposto exibi-la com orgulho, ter gente a passar-lhe a mão, a olhar sempre que me vêem, a dizer que já se nota, com um ar claramente demasiado feliz.

Apesar de tudo, a roupa ajuda. Ainda me serve toda, ainda que ligeiramente mais apertada. E sim, eu sei que é normal, eu sei que tenho de comer mesmo que as regras de anos me façam esquecer isso e só me lembre que devia ter comido quando já me dói a cabeça e começo a ficar tonta. Não é fácil mudar o que custou tanto a enraizar.

As minhas calças ainda me servem e quando é por pouco tempo sim senhora, não me importo nada de andar ali um bocado apertada. Mas as aulas recomeçam amanhã e passar o dia todo com a sensação de que estou a amassar o puto não é coisa que me apeteça fazer, pelo que fui em busca do conforto perdido na secção de pré-mamã (palavra mais feia). Como sou bem comportadinha, segui os conselhos das féshionistas que me lêem e fui direitinha à H&M. Como não me apetecia dar 40€ por umas calças de ganga que não sei bem se me vão servir daqui a umas semanas, resolvi experimentar umas coisas de nome esquisito que lá estavam ao lado, a metade do preço. E vi a luz. Barriga aconchegada, justinhas na perna para se ver que além da barriga não estou mais gorda, enfim, um mimo. As cores é que pronto, além do preto só havia um verdinho mentinha nojentinho e um vermelho quase rosinha também muito vomitozinho. Saíram portanto duas treggings pretas para a mesa da gorda grávida. Eu não sei o que são treggings (todos os dias dez palavras novas, isto da maternidade é todo um dicionário), mas como calças são óptimas. E agora vou lanchar, que parece que tem de ser.

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22 thoughts on “old habits die hard

  1. Anónimo diz:

    Tens de relaxar.
    Uma das coisas boas de estar grávida é podermos libertar-nos dos sentimentos de culpa por comer um bocadinho mais ou por nos apetecer um doce ou um chocolate. Claro que não falo de começar a comer como uma alarve 🙂
    E vais ver que vais aprender a gostar da barriga.
    Inês

  2. são joão diz:

    Se treggings nunca ouvi falar, ainda se fossem draggings, ahahahah.
    E come pa dentro que daqui a uns meses vais ter de gastar tanta energia a tomar conta da criança que isso vai tudo logo ao sítio.

  3. mariana, senti a mesma ambivalência em relação à barriga quando engravidei. aproveita para curtir a gravidez e preocupar-te com a barriga no pós parto, até lá não vale mesmo a pena…

  4. Mariana diz:

    Mulheres, eu sei que não vale a pena e que tenho é de comer e tal, só estava a tentar explicar que depois de 20 anos ao contrário não é fácil reprogramar-me em meia dúzia de semanas 😉

    • Percebo perfeitamente este post. Debati-me exatamente com o mesmo. E tenho a dizer que só tende a piorar.
      Quer dizer, melhora quando deixa de parecer uma barriga dúbia (será gordura ou gravidez), mas a culpa nunca desaparece. As consultas e a pesagem também não são propriamente apaziguadoras.
      Estou com 37 semanas de gravidez e este último mês tem sido o descontrolo total. Se antes pensava que tinha que comer de 2 em 2 horas para bem da criança, agora tenho de me conter muito para não comer também no intervalo dessas horas. É o horror.

  5. Izzie diz:

    Deixa lá, grávida ou não ficas sempre gira, basta-te vestir o sorriso que tens.

  6. Filipa diz:

    40€?! As minhas custaram 25€ (ou 29€, já nao me lembro). Puxa!

    • Mariana diz:

      As calças de ganga de grávida estavam todas a 39,90€. Menos estas treggings, que também são de ganga, mas não têm botões e têm na mesma aquela parte de algodão na zona da bariga. Estas custavam 19,90€.

  7. Filipa B diz:

    Em ganga eu achava que se chamavam “jeggings” (sim, também há isto…).

    https://www.google.pt/search?q=jeggings&hl=en&client=firefox-a&hs=pgM&tbo=u&rls=org.mozilla:pt-PT:official&channel=fflb&tbm=isch&source=univ&sa=X&ei=mJQaUe73F4WJhQfRyYCoBg&ved=0CD4QsAQ&biw=1440&bih=804

    Ok, já aprendi. Treggings é a montagem da palavra leggings com trousers (é suposto serem parecidas com calças).

    • Mariana diz:

      Jeggings não é isto, pelo que diz nesse link as jeggings são desenhadas para parecerem ganga. Estas são mesmo de ganga, só que como não têm botões nem fechos nem nada são um misto de trousers com leggings.

  8. DNC diz:

    Mariana,
    No final da minha segunda gravidez, eu pesava 90kg e 10 meses depois do parto o meu peso só tinha descido para os 87… E desde então, como tu bem sabes, tenho travado uma luta tremenda com a balança… Por isso, sei bem o que sentes e, também por isso, deixo-te aqui um conselho, não de fashionista, mas de amiga: compra os jeans de grávida, mesmo que custem 40 ou 50€.
    Minha querida, desculpa dizer-te isto, mas não vais sair da maternidade a vestir a tua roupa pre´-gravidez… Eu comprei uns jeans de grávida na H&M e foi a melhor compra que fiz, pois usei-os até à exaustão, antes e depois do parto. Acredita que são um bom investimento.
    Beijocas

    • Mariana diz:

      Obrigada pelo conselho, mas não compro. Primeiro porque quando digo que não sei se me servem daqui a umas semanas é por me estarem pequenos, não por me estarem grandes. Depois – e principalmente – porque vários professores de medicina me disseram que se a mãe não perde o peso da gravidez nos primeiros 3 meses após o parto dificilmente os perderá, dada a forma como a gordura se armazena. Sabendo isso, vou fazer os impossíveis para os perder e os possíveis para não ganhar peso em excesso.

      • Maria Bê diz:

        Miss, bem se vê que os médicos não percebem nada do assunto: três meses para perder o peso da gravidez? Em que mundo? Foram gajos que te disseram isto?
        Ora vamos lá ver… primeiro, deves ganhar peso cunsante a curvinha, mais ou menos um desvio padrão adequado para a tua figura/altura e tipo de gravidez. Eu, por exemplo, que sofro/i horrores com náuseas nas primeiras dezasseis a dezoito semanas, só fiquei melhor comendo muito e apenas hidratos de carbono. O meu peso disparou e a volumetria também, levando a que me dissessem que a gravidez, em vez de ir parar à barriga & mamas, fosse para o rabo e ancas. O que dizes, de ainda caber na roupa, para mim é um mito urbano, rapidamente deixei de conseguir entrar nas calças, quanto mais apertá-las.
        A perda de peso tem de ser gradual, especialmente se amamentares. Não quero tornar-me maçadora, mas é impossível e pouco saudável perder tudo em três meses e não deves ter esse objectivo, lutas de vintenas contra o peso ou não. Até porque perder o peso implicará um nível de exercício físico para o qual não terás, à partida, energia e nem tempo, que a privação do sono é tramada e os bebés dão um trabalhão desmesurado.
        Costumo ler que se se demora nove meses para ganhar o peso, deve contar-se com esse tempo para o perder. Parece-me bem mais exequível do que três meses. Não conheço uma única mulher média que tenha demorado este tempo.
        Já editei este comentário três vezes e continua grande. Desculpa, mas haveria tanto para dizer…
        Um sorriso!

      • DNC diz:

        Mariana, uma coisa é a teoria, outra, muito, muito diferente é a realidade. Não leves a mal, mas parece-me que no pós-parto, principalmente nos primeiros meses, a tua principal preocupação, para além do bébé obviamente, deve ser o teu bem-estar e conforto e não a perda de peso. E eu sou a prova viva de que se pode perder o peso ganho durante a gravidez muito depois dos 3 meses após o parto, afinal o meu mais novo já tem 4 anos! A minha opinião sincera é que estás a dar demasiada importância ao peso, quando o importante mesmo é a saúde. Concordo que devas fazer o possível e o impossível para não ganhar peso em excesso durante a garvidez, claro. Eu também o fiz e só ganhei 12kg, o que, como deves saber, está na média. O teu problema está em pensares em perder logo peso. Por favor, a bem da tua saúde, física e mental, não o faças. Alimenta-te bem, regularmente e de forma saudável. Se perderes peso, muito bem; se isso não acontecer, não dês demasiada importância, tens tempo, acredita. Por isso, volto a dizer, investe em roupa confortável e durável. E se, como dizes, fizeres um esforço para não ganhar peso em excesso, o mais provavel é que as calças que compras agora ainda te sirvam no fim da gravidez, porque o que aumenta de tamanho é a barriga, não as pernas nem o traseiro 😉

      • Filipa diz:

        A questão da perda de peso é um pouco relativa e depende de vários factores. Eu engordei 12 kg e sai do hospital com menos 9. Isto porque o meu filho nasceu quase com 4 kg, a placenta também era muito grande, entre outros factores. Numa semana, perdi mais 1 kg ( fiquei muito inchada depois da cesariana). É certo que, ao fim de um mês e meio, os outros 2 ainda aqui andam mas já visto a minha roupa quase toda. Fica o exemplo só para veres que cada caso é um caso. O importante é fazeres uma alimentação saudável. O resto logo se vê.

      • Mariana diz:

        Vamos lá com calma, sim? Eu disse que ia fazer por não ganhar peso em excesso e por perder o que ganhasse rapidamente, não disse que ia fazer dietas malucas. Aliás, com uma alimentação equilibrada, a amamentação sozinha é o suficiente para se perder o peso ganho na gravidez, se este, lá está, não tiver sido excessivo. Eu como de forma muito saudável e não estou a pensar em dietas, estou a pensar em comer racionalmente. Na gravidez não temos de comer por dois, temos de ter um acréscimo diário de 200-300 calorias ACIMA DO VALOR SAUDÁVEL, não acima do nosso consumo normal. Se normalmente já consumirmos acima do que devemos, não devemos aumentar, ainda que a fome pareça pedir (a fome não é sempre um reflexo de falta de alimento, é muitas vezes um reflexo de excesso de estimulação por consumo elevado).
        12kg pode ser na média, mas é 2 acima do máximo considerado saudável, que são os 10kg, menos se a grávida já tiver excesso de peso antes da gravidez.
        O exercício, ainda que seja só uma caminhada, é fundamental para a recuperação do útero e dos músculos, pelo que cansaço e energia ou não, deve ser feito durante a gravidez e assim que as cicatrizes (do períneo no parto normal ou do abdómen na cesariana) deixarem.
        Não foram homens nem mulheres que me falaram nos 3 meses, foram médicos. Parece exagerado, sim, mas, lá está, com a amamentação, se o aumento de peso não tiver sido excessivo, é, fisiologicamente, suficiente. Se a mãe não amamentar ou se tiver aumentado mais do que deve, precisará de mais tempo.

    • DNC diz:

      Mariana, a única coisa que me fez comentar a tua preocupação com a perda de peso foi esta tua frase: “se a mãe não perde o peso da gravidez nos primeiros 3 meses após o parto dificilmente os perderá, dada a forma como a gordura se armazena.” É com isto que não concordo. E mesmo que tenham sido médicos a dizer-to, cada caso é um caso e nestes assuntos não há certezas absolutas.
      No meu caso, é verdade que não perdi quase peso nenhum nos primeiros meses de vida do bébé, mesmo tendo amamentado em exclusivo até aos 4 meses, mas consegui perder depois e hoje peso menos 8 kg do que no início da gravidez. É por isso que te digo que não deves preocupar-te demasiado com o assunto.
      Beijocas

  9. Anónimo diz:

    Também eu fiquei um pouco surpresa com o que disseram os teus professores de medicina.
    As mulheres que amamentam (sobretudo nos primeiros meses) necessitam de reservas de gordura.
    Aliás, se amamentares, além de não ser aconselhável fazer dieta, deverás ter um apetite devorador nos primeiros meses…
    Eu pelo menos tive, acho que tinha até mais fome do que na gravidez.
    A perda de peso é gradual. No meu caso demorei 9 meses a voltar a ficar com o meu peso anterior.
    Na minha opinião, o que é verdadeiramente importante (mais do que perder peso) é, logo que possível, fazer exercício físico, sobretudo abdominais.
    Se não, minha querida, a barriga dificilmente volta a ficar como era.
    Inês

  10. innocent bystander diz:

    eu tambem perdi peso gradualmente. De resto, e por ter mais que fazer, não me pesei nem experimentei a minha roupa pré gravida nos primeiros 4, 5 meses depois do parto. Comprei – na abençoada HM, que nos permite comprar S grandes e caber em 36 e 38 – umas calças da nova coleção de verão. uma coisa nova, diferente. Nove meses depois de ela nascer já tinha menos 4 quilos do que quando engravidei. Devagarinho e sem stresses vai-se lá 🙂

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