Monthly Archives: Abril 2013

out of the zone

Até há uns dias andava numa fona a tentar ultimar as coisas para a chegada da cria. Depois vieram os dias pré-congresso e o próprio dito cujo, que me manteve atarefada manhã tarde noite e às vezes madrugada. Foi como se tivesse atravessado para o lado de lá do espelho, para um mundo em que, se não olhasse para baixo e não visse que não via os meus pés, não estava grávida. De vez em quando um chuto, lembra-te de mim, ainda aqui estou, senta-te um bocado. O cansaço, a fome, o sono.

O congresso acabou e se não fossem os chutos e a laringite e o posso tomar este antibiótico ou não se calhar, se conseguisse ignorar que, apesar de ainda ver os pés, já não vejo outras partes de mim, esquecia-me que estou grávida. É estranho, mas desligar deste estado durante uns dias, desligar completamente do que ainda é preciso comprar arrumar preparar aprender tirou-me daquela roda de rato onde andava há semanas. É bom que ainda haja mundo para além da minha barriga. Mas e agora como é que volto?

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grandes dramas de uma grávida de cama

Não há chocolate. A sério, não há chocolate. Tenho subsistido a nêsperas e nestum, mas como é que se cura uma laringite sem chocolate?

Desde que me conheço os livros, sempre os livros.  Tenho um para cada memória, quase. Sei que quando passei aqueles dias internada na neurologia andava a ler o Memórias de uma Gueixa. Que estava a ler o Middlesex na nossa lua-de-mel, o Museum of Innocence quando fomos a Cuba, metade do único João Tordo que não li quando a S. foi internada.  Sei que levei o Memorial do Convento para Monte Clérigo mas que só o acabei na Serra da Freita, alguns anos e um namorado depois. Andava a ler o Kafka on the Shore quando aquele gato preto nos adoptou por uns dias.

Acho que os livros me vieram nos genes e soube que havia algo verdadeiramente errado contigo quando deixaste de ter vontade de ler. Lembro-me muitas vezes disso quando não consigo prender-me a um. É normal, acontece-me uma vez por ano mais ou menos. Mas depois dessa associação angustio-me e não sossego enquanto não me enredo outra vez, irremediavelmente, até ao fim das páginas. 

anti-anti-celulite

Diz que o Verão está à porta, apesar de não parecer. E lá começam a sair de debaixo das pedras os vendedores de banha da cobra disfarçados de anúncios sérios. Claro que à primeira que nos enganam shame on you, mas à segunda shame on me e à terceira ou quarta, enfim. Ora portanto, o que vos queria dizer hoje: os cremes anti-celulite não funcionam. Juro. Desculpem lá esmagar-vos as ilusões assim, mas não funcionam. Nenhum, nem mesmo o último, mais recente hiper moderno acabado de chegar do laboratório da NASA e que promete acabar com o efeito casca de laranja da superfície da lua. Não funcionam. A celulite é uma chatice e uma vez instalada arma a tenda e, como aqueles senhores que têm lugar cativo no parque de campismo, verão ou inverno lá está e estará, de malas e bagagens. A única coisa que funciona com a celulite é evitar ganhá-la, fazendo exercício, comendo direitinho e bebendo MUITA água. Para quem já a tem, lamento, não há solução. Drenagens e cenas disfarçam um bocadinho, mas quer-me parecer que é mais o cérebro a obrigar o olho a justificar tanto euro investido nas sessões de cavitação do que resultados reais. Ah mas e aquele creme que a minha usou e que… Não. E então aquela massagem com algas do lago Baikal que a vizinha da cunhada do meu primo em segundo grau… Não. Oh mas e aquele, aqueeele que aquela blogger supé famosa e féshionista e coiso recomendou e JUROU que funcionava? Também não. Não funcionam, temos pena.

Portanto, gente que tooodos os anos embarca na super ultra novidade: comprem antes um mealheiro, juntem o dinheiro dos cremes e vão passear a celulite para um sítio giro, que é dinheiro mais bem gasto.

às vezes o interruptor está simultaneamente para cima e para baixo

Do congresso trouxemos recordações e gente para sempre cá dentro e uma laringite com direito a antibiótico, que é para não virmos demasiado consoladinhos.

hei-de te ensinar a madrugada mais esperada

O Gil ainda não nasceu e já foi cantar Abril à Avenida, que é de pequenino que se cresce para estas coisas. Depois ainda foi a um congresso organizado pela mãe e portou-se muito bem nos 3 dias em que ela pouco dormiu e pouco se sentou, mas isso não interessa quase nada quando se fala em ouvir a Grândola pela primeira vez.

5 minutos de time out?

Os meus desejos de grávida são todos impróprios para consumo. Se a sabedoria popular tiver razão, o puto vai nascer com cara de copo de vinho. Ou de caipirinha.

chamar os bois pelos nomes

Se os famosos precisam de legenda se calhar não são assim tão famosos.