grávida bem resolvida

Acho que nunca gostei particularmente do que via do outro lado do espelho e sempre lutei contra a balança (ela é muito menos preguiçosa nisso do que eu), pelo que a minha auto-estima deve ter percebido que por ali morria à míngua e tratou de encontrar coisas a que se agarrar. Ter personalidade forte ajuda e ter tido sempre namorados bestiais também terá contribuído.

Hoje, passados os 30, continuo a não ser particularmente fã do meu reflexo e tenho muitos problemas com o meu corpo, mas consideravelmente menos do que há uns anos – sobretudo porque lhe dou muito menos importância. Valorizo coisas em mim que são mais constantes do que o corpo e, espero, mais duradouras, que dizem que a gravidade ataca cedo nas mulheres mas a senilidade nem tanto.

Tenho a certeza que isso ajudou a que a gravidez não me seja tão dura. Não é bom ter barriga outra vez (esta já a tinha perdido há uns anos, voltar a vê-la não é um feliz reencontro), mas agora que é uma barriga diferente, que já chuta, não me incomoda tanto.

Mas mais do que toda esta aprendizagem que fui fazendo à minha custa durante os meus anos de baixa auto-estima (afinal, a couraça ganha-se), sei que é o facto de ter um marido fantástico, que todos os dias me diz que sou linda, que me ama e olha embevecido para a minha barriga como se fosse a coisa mais incrível do mundo (e não é? há uma pessoa a crescer ali dentro, caramba!)  que me faz sentir bem com este corpo em mudança. Mesmo com o acne nas costas, as potenciais estrias, as mamas que não cabem dentro de nada e os mamilos tamanho luzes de pista de aviação. Estas coisas e as outras (que quase ninguém nos diz que acontecem, deve haver um lobby das grávidas) fazem da gravidez um caminho pouco fácil. O companheirismo ajuda a que o peso seja menor ou, pelo menos, transportado por dois.

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4 thoughts on “grávida bem resolvida

  1. Filipa diz:

    E ele, no pós-parto, que continue a dizer que te ama e que és linda. É igualmente importante: ficamos hiper mega sensíveis e a barriga continua por cá, mas já sem criança a crescer lá dentro. Lol! Sei que tive um pós-parto muito complicado e talvez isso condicione a minha opinião actual, mas senti que foi uma fase muito mais dificil do que a gravidez. O apoio do marido foi mais do que fundamental. Foi o que me manteve à tona.

    Vai correr tudo bem. 🙂

  2. Mac diz:

    A primeira vez que gostei de mim foi quando estive grávida a primeira vez, se calhar também é por isso que gosto tanto de estar grávida. E o meu cérebro grávido também é muito melhor, isso também ajuda, além de um marido para lá de espectacular.

    E um marido assim ajuda muito no pós parto, essa sim muitas vezes complicada, mas com um bom apoio até se passa bem, olha tão bem, que até tomamos o gosto da coisa.

  3. Patricia diz:

    Também eu estou grávida e concordo plenamente quando referes a existência de um lobby de grávidas. Sim, é fascinante perceber que cresce um ser dentro de nós, mas isso não me faz esquecer as constipações tratadas em 5 semanas apenas com chá, dores estúpidas nas costas, noites em que mal me consigo virar na cama ( e ainda só vou no 5o mês!), a agitação da criatura precisamente quando estou prestes a adormecer, as constantes viagens ao wc ( pelo menos 4 de noite) e ainda podia continuar. Mas não, estar grávida é maravilhoso e só maravilhoso. Bah!:P

  4. Ana Sofia diz:

    Eu não me queixo de nada da minha 1ª gravidez, adorei.
    No entanto, o meu pós-parto foi horrível! Eu só dizia: “mas porque é que ninguém me avisou que isto ía ser assim?”. Chorava que nem uma madalena nos 1ºs dias, achava que estava com uma depressão (e afinal era só uma explosão de hormonas), tive uma subida de leite que me inchou as mamas quase até ao pescoço (literalmente), tive mamilos gretados, não me conseguia sentar na 1ª semana, o meu filho teve cólicas até aos 3,5 meses, noites mal dormidas, blá, blá, blá…
    Enfim, acho que alguém me podia ter avisado antes que tudo isto poderia acontecer… ter-me-ia certamente preparado melhor. Valeu-me (e muito) o meu marido que me tirava o leite em excesso durante a subida para não fazer mastites (doía-me tanto que não conseguia fazer a mim própria… e ele dizia que estava a ordenhar :)), que me acalmou o mais que pode, que evitou as 3459 visitas nos primeiros tempos (semanas), que desde o 1º dia sempre tratou do nosso filho como um pai exemplar (banhos, muda de fraldas, etc., etc.).
    Da próxima vez já não me enganam (acho eu :)).
    Boa sorte!

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