os moderninhos da não vacinação

Vão ler este post da Izzie, fachavor. Este assunto das vacinas é muito sério e só não entro por ele adentro agora que é coisa para me deixar muito nervosa e toda a gente sabe que as grávidas não se devem enervar.

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37 thoughts on “os moderninhos da não vacinação

  1. Wallis diz:

    E tem comentários bons, por acaso contava ver-te por lá (também por causa da questão do parto natural, que também me faz espécie). Mas tens razão, o melhor é não te enervares.

    • Mariana diz:

      Ando um bocadinho sem tempo para passar nos blogs e com muita pena.
      E não partilho a embirração com o parto natural, bem pelo contrário. Percebo muito bem quem quer fugir aos hospitais, onde as grávidas são frequentemente proibidas de andar de um lado para o outro para acelerar o processo (tendo de ficar presas à cama e aos mil monitores), onde têm de parir em posições anti-natura para dar mais jeito à equipa médica, onde são frequentemente cortadas só porque sim, mesmo sem haver risco de rasgadura… Enfim, o parto é o único acto de não doença que nos leva ao hospital e, neste, o foco de conforto devia estar na mãe e não nos médicos, no que lhes é mais fácil e no que lhes dá mais jeito, como infelizmente acontece. Percebo perfeitamente a vontade de parir em casa e preferia que houvesse sítios seguros onde o parto pudesse dar-se com o conforto e a privacidade de uma casa, mas com a segurança de um hospital.

      • Wallis diz:

        Eu não sei exactamente como é, porque não tenho filhos nem conheço essa parte dos hospitais, só do que contam. A ideia que tenho resulta do que me foi transmitido e confesso que me ficaram na memória histórias mal-sucedidas (que terminaram no hospital, quero dizer) de partos em casa. Não é embirração da minha parte, é desconfiança. Porque “um parto (…) com o conforto e a privacidade de uma casa” seria o ideal mas os hospitais serão mais seguros, a questão é mesmo essa. Obrigada por perderes este tempinho 🙂

      • Mariana diz:

        Os hospitais são mais seguros quando alguma coisa corre mal (o que, convenhamos, não é na maioria dos casos).
        O meu maior problema com esta questão é que enquanto nos conformarmos com a entrega ao hospital, só porque sim, sem questionar nada – nem mesmo aquilo que se faz SÓ para conforto dos senhores doutores -, as coisas não vão mudar. Um parto não é e não deve ser um acto médico. Quanto mais natural e sem interferências, melhor é a recuperação – isto, repito, quando está tudo a correr bem, não vamos confundir as coisas. Qualquer mamífero sabe que a posição ideal para parir é de cócoras, onde a gravidade e o posicionamento da anca ajudam à expulsão do feto – então por que raio parimos nós deitadas, com as pernas elevadas?! Fácil – dá muito mais jeito ao médico.

    • Joana diz:

      Não gosto do termo parto natural, parece que vamos parir para o meio dos arbustos na natureza. Os franceses chamam-lhe parto fisiológico, parece-me mais adequado.
      Graças à minha profissão, assisti a muitos partos, estudei o assunto, falei com obstetras e anestesiologistas, e optaria sempre pelo parto fisiológico (em hospital obviamente, como se faz noutros países). Na minha maternidade não me deixaram escolher a posição, nem se queria episiotomia ou não, a única coisa que pude recusar foi a epidural, e mesmo assim foi dificil, fui assediada por uma anestesiologista que queria à força toda espetar-me o agulhão nas costas…

      • Mariana diz:

        Joana, isso faz-me muita confusão. Então temos direito a recusar tratamento num estado terminal mas não temos direito a decidir como queremos parir? Algo está muito mal.

  2. Wallis diz:

    Mas em casa não se faz com a mulher deitada? (não percebo mesmo nada disto :s)
    Também é por medo (nomeadamente, que algo corra mal, mas por mim falo, que penso nessas coisas; chegadas a esta parte, já estou um bocadinho arrependida de ter trazido a o assunto à baila, o objectivo era não te maçares com estas coisas :()

    • Mariana diz:

      Não me maças nada, se me maçasses já não estava aqui a dar-te troco 😉
      Em casa faz-se na posição que te apetecer e em que estiveres mais confortável.

  3. Filipa diz:

    Eu dou as vacinas todinhas, quer as obrigatórias quer as facultativas. E assim será sempre. O meu filho é o meu “bem” mais precioso. Faço o que for preciso para o proteger… Essa moda irrita-me daqui até à lua. Até porque muitas pessoas embarcam nessas teorias porque “coitadinhos dos meninos, a vacina dói e eles choram muito” (true story).

    • Mariana diz:

      Nas obrigatórias sim senhora. Ainda tenho as minhas dúvidas quanto às facultativas.

      • Filipa diz:

        Eu confio no pediatra, sou sincera. E até agora, a única que me suscitou duvidas foi a rotateq porque a da meningite nem questionei. Mas é como te digo, sigo as recomendações do pediatra.

      • Mariana diz:

        A da meningite? Mas já há uma da meningite no PNV… Qual é essa facultativa?

      • Navajovsky diz:

        A da meningite do PNV é para o meningococos. A prevenar é para o pneumococos ( que entre outras coisas tb pode causar meningite), há uma com 13 serótiopos (que é a prevenar) e depois há outra com 23.

      • Mariana diz:

        Sim, sim, já fui ler, obrigada 🙂

  4. Filipa diz:

    A prevenar. É facultativa.

  5. Navajovsky diz:

    Olá Mariana,

    confesso que fiquei super surpreendida quanto à tua opinião sobre o parto natural. Sim, se calhar estar de cócoras seria mais prático para o bebé sair,sem duvida que faz todo o sentido. Mas parece-me que uma epidural deve ser ainda mais confortável (mesmo que se esteja de barriga para cima e pernas abertas).

    Mas mais do que isso, nem sempre dá para prever quando um parto vai correr mal, como sabes. Pode ser raro, mas não é tão raro que se possa relaxar no assunto. Se eu fosse a ter um filho acho que preferia 2892589282094820945 vezes o meu desconforto com a segurança de ter o melhor dos serviços ao dispôr do meu bebé. Honestamente, não consigo perceber como é que alguém que conheça as ridiculamente enormíssimas conquistas que se conseguiu na saúde materno-infantil com os partos hospitalares e tudo a que estes dão acesso, consiga sequer ponderar ter um bebé em casa.

    Além do mais o desconforto das mulheres que têm o bebé na maternidade não é, de modo nenhum, grande. Em obstetrícia, quando fui assistir ao primeiro parto, ia nervosíssima, achava que aquilo ia ser um horror, sentia-me angustiada só de pensar e temia até ter o meu primeiro desmaio na vida quando entrei para a sala de partos( e olha que eu adddooorooo cirurgia geral e não sou mesmo nada uma pessoa impressionável). Saí de lá com uma opinião completamente diferente. As mulheres estavam lá na maior, sem ponta de dor (tudo controladíssimo), sem intromissões, sem qualquer ar de desconforto excepto o cansaço de terem de puxar. O que mais pairava naquela sala era, sem dúvida, felicidade e alegria. Fiquei muito muito surpreendida pela positiva.

    • Mariana diz:

      Ó senhora, mas onde é que eu disse que era a favor do parto em casa? Disse que compreendia os argumentos de quem o defende – o que é muito diferente. A ver se me explico melhor.
      Eu acho perfeitamente lógico que o parto seja encarado como coisa natural que é. E que haja quem defenda um regresso, até certo ponto, a essa naturalidade e uma retirada da excessiva medicalização do processo. Claro que a epidural, para quem a quer, é melhor do que a dor – mas não seria ainda melhor a epidural E uma posição mais natural e confortável? Uma sala com menos gente, um ambiente mais confortável e privado, monitorização a intervalos regulares e não constante (que, a maioria dos estudos mostra, nem é necessária), que permitisse à parturiente deambular para aliviar as dores e acelerar o processo?
      Não defendo que esta desmedicalização passe pelo regresso ao parto em casa, mas acho fundamental que haja uma aproximação destes dois extremos. Que se criem, por exemplo, alas nos hospitais em que o ambiente seja mais caseiro e menos médico, mas com fácil acesso a UCIs e blocos e o mais que possa ser necessário, em caso de complicação.
      E, já agora, acrescento: que seja permitido ao pai participar de todo o processo, se assim quiser. Porque no público o pai é excluído de muita coisa e é importante lembrar que isto é um percurso a dois, mesmo que só um esteja a parir. Agora que estou a planear o meu parto, por exemplo, não consigo conceber que o meu marido não possa estar comigo, ao meu lado, a ver chegar o nosso filho. E isto também vem da excessiva medicalização do processo que, sim, trouxe muitas coisas boas de que não devemos abdicar, mas que também trouxe coisas más – algumas das quais não podemos nem devemos contornar, se calhar, e outras contra as quais devemos lutar.

      • Filipa diz:

        O teu marido não pode estar presente? Eu tive o Francisco na Casa de Saude da Boavista por isso o João até à cesariana assistiu mas quando estive internada no S. João, as mulheres que estavam ao meu lado, em trabalho de parto, estiveram sempre acompanhadas pelos maridos.

      • Mariana diz:

        Se fizeres uma cesariana no público não pode, não.

      • Mariana diz:

        E já viste que agradável, estar em trabalho de parto ao lado de não sei quantas estranhas? É precisamente isso que eu contesto.

      • Navajovsky diz:

        Ah bom, então percebi mal, assim já faz mais sentido.

        Mas acho que essa aproximação já começa a existir. Conheço pessoas que tiveram os filhos no São João e tinham um quarto só para elas, com uma ambiente muito semelhante ao de um quarto em casa (segundo descrições, que nunca lá fui), e no qual também havia condições para o marido passar a noite (se não estou em erro, que disto já não tenho bem certeza)

        Quanto ao marido todos os partos a que assisti na maternidade o marido estava lá com a mãe, a segurar a mão e dar apoio. Só não os deixavam passar para o “lado de cá”, ou seja, tinham de ficar junto da cabeceira, por causa da esterilização e para evitar desmaios dos pais. E uma vez tendo saído a criança e feito aquela primeira avaliação, até eram os pais a vestir o primeiro fato do bebé, enquanto as mães ficavam todas babadas a ver. (e tenho de dizer que era uma cena muito fofa. Os pais super trapalhões e cheios de medo de partir criança, as enfermeiras a rirem e dar uma ajudinha, as mães a chorarem de emoção a ver a cena.)

      • Mariana diz:

        Sim, também acho que já começa a existir. Especialmente por já não se fazer a episiotomia sempre, que era uma coisa que me fazia muita confusão. Esse envolvimento do pai na maternidade é uma coisa que desconhecia e que me deixa muito feliz, acho excelente. Mas acho que ainda não é prática corrente, pelo menos nos outros públicos de que conheço alguma coisa.

      • Queen of Hearts diz:

        Vou meter a colher só para dizer que me parece já haver alguns (poucos) hospitais que tentam aproximar esses opostos, como dizes. Não quero dizer asneiras, mas de acordo com uma amiga minha, (julgo que) o Pedro Hispano já vai praticando essa humanização do parto.
        Uma questão que me intriga é se será assim tão “errado” medicamente, ou cientificamente, deixar a gravidez aproximar-se mesmo das 42 semanas sem partir logo para a indução às 41. É que me parece que um trabalho de parto com início e evolução naturais devem ser o ideal, desde (claro) que essa última semana fosse bem monitorizada… Ter a sorte de ser sujeita a indução, com o plus da rotura artificial, fazendo com que o meu organismo entrasse num trabalho de parto completamente descompensado e extremamente doloroso, sempre presa a um CTG, that’s me. Pelo menos foi por pouco tempo, comparativamente à maioria das mulheres.
        E por essa minha experiência também agradeço pela morfina. Abençoada epi, amén.

      • Mariana diz:

        Queen of Hearts: uma gravidez, fisiologicamente, dura 40 semanas. Logo, 41 ou 42 já é para lá do prazo. Na maioria dos casos não haverá problema, mas a probabilidade de haver aumenta muito. Por exemplo, é nas últimas semanas, quando o bebé está grande e tem pouco espaço, que aumenta o risco de enrolar o cordão umbilical em volta do pescoço, dentre outras coisas.
        Acho óptimo se o parto não tiver de ser provocado, mas se a coisa começar a esticar demasiado em tempo é preferível provocar, parece-me, que arriscar.

  6. Filipa diz:

    Sim, sim. Isso eu sei. Por isso disse que o João até à cesariana assistiu. Só aconteceu por ser no privado. Mas, nesse caso, o teu marido ficaria contigo até ires para o bloco.

    • Mariana diz:

      Mas e a cesariana já não é o nascimento do teu filho? Eu acho ridículo que estejam tantas pessoas no bloco, às vezes mesmo imensos estudantes de Medicina, e o marido não possa estar.
      O meu vai estar, seja como for, mas porque não vou ter o Gil no público. E olha que eu acredito e defendo o público com unhas e dentes, é preciso é limar-lhe umas coisas.

    • Filipa diz:

      E ao lado de uma gaja cheia de hemorragias, a quem os médicos diziam que podia perder o utero. Já as estou a imaginar: fogo, tenho de aguentar estas dores e, passados 15 dias, ainda me pode acontecer isto?! 😉

      • Filipa diz:

        Mais… Eu nao cheguei a entrar em trabalho de parto porque a crianca resolveu trocar-me as voltas mas só de as ouvir fiquei vacinada (e voltamos ao tema inicial do post!). Havia lá uma que se queixava tanto, e vomitava, e dizia asneiras… Até eu estava em sofrimento!

  7. Joana diz:

    Foi assim que houve um surto de rubéola em França há tempos… Gente esperta, já se sabe como é bom as grávidas e os recém nascidos estarem expostos à rubéola.
    Dei as vacinas todas, as facultativas todas também. A do Rotavirus, não me parece muito útil, apesar de ser oral e fácil de administrar (comprei na farmácia e dei em casa). A do Prevenar nem pensei duas vezes, desde que a vacina do Menigococo entrou no PNV, não se vê outra coisa senão meningites por Pneumococo.

    • Mariana diz:

      Vamos lá com calma que ao dizer “não se vê outra coisa” até parece que as há aos pontapés. As outras é que passaram a ser menos, as por Pneumococco não aumentaram.

      • Joana diz:

        Trabalho num hospital pediátrico, e todas as meningites que vi de 2010 para cá foram por Pneumococo, nenhuma por Meningococo (como é expectável, visto que há vacina). Daí ter dito que não vi outra coisa senão meningites por Pneumococo.

  8. Infinitiva diz:

    Sim, essas manias hippies de pais que se acham muito bem informados mas que, enfim… E a Imprensa dá corda a essas teorias!

  9. Queen of Hearts diz:

    Opá e lá atrás esqueci-me de puxar a brasa à minha sardinha e dizer que no Hospital de Braga (público), ainda que não haja salinhas com bolas de Pilates (muito confortáveis na fase de labor) e outros apetrechos e espaços onde as mulheres em trabalho de parto se possam sentir mais confortáveis, os pais têm um tratamento privilegiado. Os quartos são todos individuais no piso da maternidade, há um cadeirão para o pai passar as noites com a mãe, o pai está na sala de partos – também individual – com a mãe o tempo todo (nos partos normais)… o meu marido até foi quem vestiu o nosso filho pela primeira vez, e senti-lo lá foi sempre um conforto grande para mim.

    Quanto às vacinas… eu nem sequer percebo. Como a Filipa, até optei por dar (a conselho da pediatra) as facultativas, mas para mim isso de não vacinar os filhos é pura e simplesmente regressar à Idade Média. Se vira moda, voltamos às pestes.

  10. Izzie diz:

    Pois na questão do parto tenho as minhas dúvidas, e acho que o ideal era parto acompanhado por enfermeiras especializadas, no hospital por causa das tosses, e da forma mais natural possível. Acho que se muitas mulheres optam pelo privado e cesariana marcada, tal se deve ao medo da falta de epidural ou possível episiotomia.
    Diz a gaja ultra maricas, que nunca teve filhos, mas acha um disparate que uma coisa tão natural e importante seja passada numa marquesa, aos gritos de dores e entre estranhos. O meu irmão assistiu a todos, o primeiro foi na MAC e ninguém o segurou, entrou por ali adentro e ficou. E como é um gajo com cabeça fria até foi dando umas ajudas, tipo chamar a atenção do corpo clínico quando achou que aquela hemorragia se calhar não era normal. Juro.

    • Mariana diz:

      Essa da falta de epidural preocupou-me. Mas qual falta de epidural? Que eu saiba já não se fazem partos no público sem isso, a menos que a mãe não queira ou a mesma esteja contra-indicada por alguma razão médica.
      Quanto à episiotomia, já são outros quinhentos. Até há pouco tempo era prática standard, mas parece que agora, pelo menos na maternidade ali no Porto, já só se corta quem está mesmo em risco de rasgar – e aí sim, acredita que cortar é muito melhor que rasgar. A recuperação é muito melhor e deixa muito menos sequelas.

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