just a spoon full of sugar helps the medicine go down

Eu gosto e admiro e acho que são muito precisas as pessoas que nunca desistem de tentar mudar o mundo. Até faço por ser uma dessas pessoas, na minha escala e insignificância, e acredito que, mesmo não querendo ser chefe de nada nem mandar em ninguém, um dia poderei fazê-lo porque é de dentro que as coisas podem mesmo mudar.

Mas confesso que cada vez tenho menos paciência para os utópicos encarteirados, aqueles que acham que temos de mudar tudo a todo o custo, que vestem a camisola em todas as frentes e que são de tal forma cegos que acham que é preferível ensinar a utopia e a necessidade de mudança do que dividir o tempo entre esse lado e o lado real da moeda. O mundo devia ser mais justo e devíamos todos fazer mais por isso? Completamente de acordo. Esse mundo existirá num futuro próximo, tão perto que podemos dar-nos ao luxo de não ensinar aos mais novos que a injustiça e a frustração existem e, ao fazê-lo, ajudá-los a adquirir ou construir ferramentas para lidar com isso? Não. O mundo nunca será completamente justo ou agradável na totalidade do tempo para todos os que cá moramos. Nunca. Limitarmo-nos a ensinar que devemos lutar para que seja mais próximo desse ideal é criar gerações desajustadas, mal preparadas para o que terão de enfrentar e que ficarão inevitavelmente congeladas quando as coisas não lhes correrem como planeado, por não terem capacidade para lidar com isso.

Como em tudo, o segredo está no equilíbrio. Há que formar gente inconformada o suficiente para desejar e lutar por um mundo melhor, mas suficientemente preparada para viver no mundo que temos hoje e que não é, tantas vezes, o mais simpático. E isto não quer dizer gente conformada ou conformista – há uma grande, grande diferença. E são os mais preparados os que conseguem levantar-se mais vezes para continuar a lutar por aquilo em que acreditam.

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4 thoughts on “just a spoon full of sugar helps the medicine go down

  1. Izzie diz:

    O mundo nunca será completamente justo até porque às vezes chove quando dava tanto jeito que fizesse sol. Natureza, a ensinar-nos o valor da frustração desde sempre.
    (o que mais conta é a atitude, a atitude)

  2. Mak diz:

    Se entendermos a utopia como algo inalcançável (seja em que área for) mas que, ainda assim, consegue movimentar gente que não desiste de lutar por isso, a questão para mim é sempre – essas pessoas têm consciência disso? Se têm, então o seu esforço tem algum louvor e mérito, se o fazem cegamente então estamos perante uma realidade mais triste.

    Mas o pior dos casos, para mim é o dos inconformados e dos ideólogos de vitrine. Pessoas que, muitas vezes desconhecem em absoluto ou perto disso a realidade das coisas, mas “fingem” que percebem, que se interessam e que sabem efectivamente o que se passa. Obviamente, não tens que passar fome para poder ser contra ela, mas fazer um post indignado numa qualquer rede social, ser um teórico de primeira em qualquer jantar e fazer zero acerca disso, é pior do que não fazer nada e ficar calado.

    • Mariana diz:

      Sim, esses que sabem muito bem queixar-se e ser treinadores de bancada dos destinos do mundo são os piores, porque falam falam falam mas não fazem nada e chateiam comó caraças.
      Mas eu acho que uma dose de utopia é fundamental para que haja mudança e construção de um mundo melhor. Não pode é ser à custa do funcionamento saudável e construtivo neste que vamos tendo.

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