o mundo ao contrário

Há uns tempos foi notícia a violação de uma rapariga numa ciclovia. Logo vieram as autoridades dizer para as raparigas não sairem sozinhas à noite, mais vale prevenir do que querer remediar o que não tem remédio, precaução e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Há quem viva permanentemente assim, com medo de sair à noite, com medo de andar sozinha, sempre com o telemóvel na mão, as chaves de casa prontas antes de sair do carro, portas trancadas, sempre trancadas, esperar que aqueles homens ao fundo da rua se vão embora para poder entrar em casa. A maior parte dos homens não sabe o que é viver assim, moldar os comportamentos por causa do medo, incorporar rotinas estranhas por segurança, pensar sempre “e se” antes de tomar uma decisão, antes de abrir uma porta, entrar num elevador, descer uma escada. Estar sempre a pensar como não facilitar, como afugentar o desejo alheio, como não atrair a atenção. Esta limitação permanente, estas coisas que “acontecem” e que parecem um castigo pesado pela emancipação, pela modernidade. Como será usar uma burka, pergunto? Há demasiadas mulheres a viver assim.

 

Pela mão da São João (cliquem no link e vão lá ler o resto).

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One thought on “o mundo ao contrário

  1. Luna diz:

    Tenho esse post marcado “unread” para lá voltar quando tiver mais tempo e me puder debruçar sobre ele num post.

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