pick up the pieces and move on

Os filmes e os livros dizem todos que crescer dói. Sempre achei que sim, que doía, que era normal doer. Até que encontrei o meu lugar no mundo e deixou de ser assim. E eu deixei de acreditar que sim, que doer é normal.

Há dias que doem. Dias em que quem já cá não está nos faz mais falta que respirar. Dias em que olhamos para trás e remoemos nas asneiras que gostaríamos de não ter feito, em que pensamos no que andamos a fazer e não devíamos e no que devíamos andar a fazer e não andamos. Mas, feitas as contas, noves fora nada, o saldo deve ser sempre positivo. E se não é então devemos fazer alguma coisa para mudar.

Era nisto que eu acreditava, se calhar por nunca ter tido grandes dificuldades na vida – a maioria das minhas batalhas foram pequenas e fáceis. Mas apesar disso nunca fui verdadeiramente feliz até alguns anos depois dos 20. Fazer 30 anos angustiou-me muito menos que fazer 20 ou 25, porque aos 30 anos eu sabia, finalmente, quem era e para onde ia. O como ia-se fazendo, com vontade todos os dias.

Mas, de vez em quando, há coisas que se partem dentro de nós. Coisas pelas quais lutamos e das quais temos de desistir, não porque deixemos de as querer, mas porque é preciso aceitar que nunca vão ser como queríamos. Lutar, lutar sempre, cansa. E às vezes é preciso admitir que não vale a pena remar contra aquela maré, ceder, ajustar as expectativas. Custa muito, mas deve fazer parte da tal dor de crescer de que sempre ouvi falar e na qual tinha deixado de acreditar.

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One thought on “pick up the pieces and move on

  1. Filipa diz:

    Ainda ontem pensava em tudo o que dizes, cá por coisas, e é mesmo assim.
    E há pessoas que têm muita sorte na vida e outras que não, e eu sou das que não – no sentido em que tenho de batalhar e batalhar, não por apesar passar fome e etc., que tudo isto é relativo e eu sei – mas mesmo assim prefiro ser eu a batalhar do que outros que sei que não conseguem como eu e me angustie se passarem a ter que batalhar como eu (espero ter-me feito entender).
    E que dói a falta, fogo! Até agora nunca tive dor maior.
    (e pronto, basicamente para me solidarizar).
    Não desistas do que quer que seja, continua a batalhar. Até podes fazer intervalo, mas não te resignes. A recompensa vem sempre, eu acho.

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