Monthly Archives: Julho 2013

please don’t maternize me

A próxima mãe que me disser tem calma, aproveita estes últimos dias, vais ver que vais ter saudades de o ter aí dentro leva uma resposta muito torta. Há um tempo para tudo e eu acredito que essas saudades venham. Mas não é agora o tempo delas, agora é o tempo de o querer cá fora, onde me basta olhar para ele para saber que ainda respira, onde posso pôr-lhe a mão e sentir que o coração ainda bate.

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ecografia emocional

O pior desta fase não são as insónias nocturnas e o imenso sono durante o dia, não são os suores que me encharcam nem a falta de posição, não é o peso da barriga nem as dores nas costas nem a ansiedade da espera. São aqueles minutos de manhã, ao acordar, quando ele ainda não deu sinal de continuar ali, vivo e bem. Aqueles breves instantes em que pensamos que se calhar foi desta que aconteceu uma desgraça neste ovo que trazemos logo abaixo do coração e que devia vir com janela.

a sobrevalorização do perene

Sugeriram-me há uns dias que gravasse, na sala de partos, o primeiro choro do meu filho. Para poder ouvi-lo vezes sem conta, para ficar com uma recordação. Eu ainda não passei por isso, mas acredito que seja daquelas coisas impossíveis de esquecer – e, sendo assim, gravar para quê?

Faz-me alguma confusão esta necessidade que há hoje em dia de gravar tudo para mais tarde recordar. Acredito que nem se viva tão bem a situação, tal é a urgência de a captar para a posteridade.  Que é feito do momento, do imediato, do fugaz, ali e agora e a sensação do nunca mais? Daquela vontade quase adolescente de aproveitar cada instante de uma coisa mágica que não volta? A tecnologia, com todas as suas vantagens, veio anular muita da magia que havia numa coisa irrepetível.

Não tiro fotografias em concertos, não gravo excertos de audio, não sinto necessidade de fotografar tudo o que de relevante me acontece. Acredito que, com isso, estou muito mais ali, naquele instante e que por isso esse momento fica muito mais guardado cá dentro, nas minhas memórias físicas e emocionais.

a pílula da sabedoria

Gosto muito desta lista da Pipoca e da respectiva continuação (que querem, a Pipoca grávida é quase minha irmã gémea, já o tinha dito num post há uns meses atrás, de forma encapotada e envergonhada mas olhem, quem tem vergonhas passa mal e para isso já me chega a barriga). Identifico-me com quase todos os itens como boas regras de conduta para quando tiver filhos não me tornar numa daquelas mães.

Mas a regra número 1, aquela que vou fazer os possíveis por seguir a todo o custo, é não dizer a não-mães “ah, tu sabes lá, quando tiveres filhos vais ver”. É a coisa mais injusta e idiota de se dizer. E errada, porque ter filhos não é um livre trânsito para fazermos ou deixarmos de fazer coisas que não nos apetece mas são importantes para outros (supostamente) importantes para nós. Não é um livre conduto para deixarmos de ser pessoas em sociedade, com papéis e direitos e deveres sociais. Não é carta branca para esquecermos o que é estar no lugar do outro, para deixarmos de ser mulheres e pessoas, para perdermos o amor próprio e a empatia. Não é a pílula da sabedoria e todas as outras mulheres, coitadas, não percebem nada disto.

Portanto, a horas ou dias (olhem, se souberem esta engulo já tudo o que disse acima!) de parir, esta é também a mãe que eu quero ser.

sisterhood of the flying panties

Chegas a uma fase da gravidez e só queres que a coisa acabe. Já não há posição para nada, sair da banheira é mais perigoso que atravessar uma auto-estrada a pé e já não consegues calçar nada que implique ajuda das mãos. E é nesta fase que toda a gente te dá conselhos: sobe escadas, limpa a casa (aquela coisa que eu já ADORO fazer quando tenho energia, está-se mesmo a ver), vai correr, come coisas picantes, toma óleo de rícino (não tomem! ajuda, mas vão passar horas na casa de banho), dança, salta, rebola, faz de morta. Se o puto não sai a bem, cansa-o até que ele escorregue por ali abaixo, claramente.

Mas o conselho mais transversal é o sexo. De repente toda a gente te fala de sexo. Como se, por não ser pelo prazer, para a javardice, o sexo se tornasse numa espécie de remédio que se toma. Afinal, serve um propósito maior, mandar vir o puto de Paris. De repente dás por ti e fazes parte de uma irmandade secreta qualquer, a távola redonda dos cavaleiros de Sir Hump-a-lot, gente que parece ter passado os últimos dias da gravidez em alegre maluqueira. E tu cheia de vontade de te enfiar numa banheira morna e adormecer até acordar com as contracções.

Dizem os estudos que sim, que o sexo ajuda. Por três razões: ajuda a produzir oxitocina, a “hormona do amor”, que é a mesma responsável pelo início do trabalho de parto; o orgasmo induz contracções uterinas que podem dar um empurrãozinho para a coisa começar e o sémen é rico em prostaglandinas, compostos que ajudam a amadurecer o colo do útero. De todos os métodos caseiros, parece ser o mais eficaz, diz a literatura. Por isso, grávidas, amaluquem para aí. Se conseguirem e estiverem para aí viradas, que com a barriga, as pernas inchadas, a falta de ar, a azia e todas as outras maravilhas que os 9 meses de gravidez trazem, é natural que não vos apeteça lá muito.

é tudo dos nervios

Esta espera está a fazer-me uma úrsula no diodeno.

dos mitos que se perpetuam

Gosto muito das grávidas que acham que o creme barral ou outro qualquer vão impedir que surjam estrias, acho-as muito fofinhas. Ainda hoje encontrei mais duas.

umas coisas bem, outras coisas mal

Este post da São João sobre os miúdos e a escolaridade. Nunca tinha pensado nisto assim e se calhar estamos a ser injustas com muitas crianças de um e outro lado do espectro. Mas que há coisas claramente a precisar de mudar por cá, há.
Este post da Bad Girl sobre os nossos atletas mais jovens, tão pequeninos e tão sensatos, esperemos que não se estraguem com a idade e com os vícios do meio. É bom ver fair play deste.