amor de pais

Um dos meus ódios de estimação nesta coisa da maternidade são aquelas mães que acham que amor de mãe é maior que amor de pai. Que acham isso porque sim e que não se coíbem de o dizer alto e a bom som. Para além da arrogância (ainda que talvez inconsciente) da coisa, é uma grande injustiça. Claro que há pais que não se envolvem e que não participam e que, por causa disso, estabelecem uma ligação mais tardia com os filhos. Mas também há muitas situações em que isso acontece porque a mãe monopoliza a criança – tem de ser ela a dar-lhe de comer SEMPRE, a dar-lhe banho, só ela é que sabe adormecer o bebé. Há mães que excluem os pais do quadro, conscientemente ou não. E que depois vêm dizer, à boca cheia, que não há nada como o amor de mãe.

Este é um conceito historicamente datado, do tempo em que as mães eram as únicas cuidadoras das crianças e os pais eram os fertilizadores e os ganhadores de pão. Felizmente, as coisas mudaram e continuam em mudança todos os dias.

Eu acho que não há nada como o amor de mãe como não há nada como o amor de pai. Acredito que sejam, inicialmente, amores diferentes – afinal, a mãe já leva 9 meses de convivência a tempo inteiro, enquanto o pai é relegado para actor secundário. Devia fazer parte do papel da grávida envolvê-lo o mais possível e ambos deviam querer que fosse assim. É muito importante que o pai vá às consultas, às ecografias, ao curso de preparação para o parto. Que a mãe lhe mostre a barriga a mexer, lhe dê a sentir os pontapés e os pés espetados, lhe conte como o bebé se mexeu quando ele não estava lá para ver. E mal o bebé nasça, a mãe deveria deixar que o pai se envolvesse, como o pai deveria querer fazê-lo. Podem e devem partilhar-se a alimentação, os banhos, os colos, as fraldas e a hora de dormir.

Cá em casa falamos muito disto. E falamos das partilhas possíveis. Como sabemos que a amamentação exclusiva não é, nos países ocidentais, essencial, estamos a planear (sendo possível, que isto também depende da colaboração do novo membro ainda por chegar) amamentar e dar-lhe fórmula antes do sono da noite. Porquê? Porque os estudos dizem que a fórmula os sacia mais e, consequentemente, eles dormem mais horas seguidas quando alimentados assim. Isso permite que o nosso primeiro sono da noite seja mais longo, permite que seja o pai a dar-lhe esse biberão, enquanto a mãe bombeia o leite do primeiro biberão da manhã ou de um da noite, que poderá ser dado por quem estiver menos cansado, permitindo ao outro mais horas de sono. Acredito que o bem estar físico e psicológico dos pais, no mundo em que vivemos, é mais importante do que a amamentação em exclusivo, como acredito que o envolvimento de mãe e pai é mais vantajoso do que a dedicação doentia de um dos membros do casal ao recém-chegado, anulando tudo o resto à sua volta. Acredito que isto se faz a três e não a dois. E que é de um egoísmo tremendo negar ao pai a participação nestas novas rotinas do filho que também é seu, como é de um egoísmo atroz o pai não querer participar.

Amor de mãe não é maior que amor de pai – mas porque muitos pais ainda acreditam nisso, põem-se de parte, por desinteresse, por acharem que estão a fazer o melhor para o bebé, porque as mães não deixam que seja de outra forma. E com isso todos perdem.

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50 thoughts on “amor de pais

  1. Izzie diz:

    Sempre que oiço uma dessas super-mãezinhas, penso sempre que ainda vão acabar empalhadas, na sala de estar do filho quarentão.

    • Mariana diz:

      A última que ouvi a dizer isto foi a Rita Ferro Rodrigues na rádio, há uma semana ou duas. Só me apeteceu bater-lhe.

      • Izzie diz:

        Pá, o meu irmão faz tudo, e sempre fez tudo, só faltou cortar o cordão umbilical. Acho que nunca lhe passou pela cabeça ser o pai de sofá, daqueles que só falam aos putos para os ameaçar com um estalo ou dizer ‘faz o que a tua mãe diz’. É diferente, amor de pai e amor de mãe, mas qualitativamente, e não quantitativamente. Há quem fique muito chocada quando digo que ambos fazem muita falta a uma criança, e depois ressalvam com um ‘ah, mas a mãe…’ Olha, a mamã do Norman Bates devia ser assim.

      • Mariana diz:

        Mesmo no qualitativamente não sei se concordo contigo.

  2. Izzie diz:

    Se calhar não expliquei bem, é diferente porque são pessoas diferentes, tal como o amor da mãe X não é igual, qualitativamente, ao da mãe Y. É só essa, a minha distinção, nada a ver com o pai ser incapaz de um amor tão bom como o da mãe, é diferente porque são pessoas diferentes – e isso é bom, digo eu. Os putos precisam de diversidade.

  3. Filipa diz:

    Lá em casa vivemos tudo a dois (três, melhor dizendo). E é tão bom ver a cumplicidade deles. Sim, porque a partilha de momentos também ajuda nessa cumplicidade. Agora, não podemos negar que nos primeiros meses, os bebés são mais “nossos” porque com a licença passamos mais tempo com eles e porque a ligação entre mãe e filho continua lá, muito forte (não me sei explicar muito bem mas acho que dá para perceber a ideia). Mas é tão bom partilhar tudo com o outro. P.e. ainda damos os banhos a dois. É um dos momentos mais giros do dia. E o meu marido faz mesmo questão de estar presente. É giro! É muito giro!

  4. Ana diz:

    Não poderia concordar mais. Quando digo que estou mortinha que ele nasça para poder finalmente partilhá-lo e ele não estar totalmente dependente de mim e do meu corpo, algumas mães simplesmente não compreendem porque “na barriga eles são só nossos!”. Caramba, eu não quero que ele seja só meu e não acho que vá ter uma relação privilegiada só porque o “carreguei” 9 meses. Outra coisa difícil de entender é quando digo que em primeiro lugar estão os pais. Acredito piamente que sendo essa a prioridade, com o filho correrá muito melhor. É óbvio que nos vamos focar e absorver por ele, que vai ser difícil, que a relação terá alterações inevitáveis, mas conheço pessoas que se anularam completamente e isso não pode ser uma opção. Já avisei a algumas amigas que se me virem a entrar por aí, me esbofeteiem (nunca se sabe o que as hormonas e enamoramento pelo filho pode fazer!). E o resultado disto é o que observo muitas vezes: cobrança no filho quando este cresce. “Eu dediquei-me tanto a ti, sofri tanto, fiz tantas cedências, que agora espero o mesmo em troca”. Já agora, a dica da fórmula antes de deitar nunca tinha ouvido e parece-me excelente. Vou reter a dica.

    • Mariana diz:

      Ana, a dica da fórmula não é bem dica, também não a tinha visto em lado nenhum, mas depois de ler muita coisa sobre vantagens e desvantagens de um e outro achei que fazia sentido. Fui especificamente à procura de info sobre isso e afinal há muito quem o faça (lá fora, aqui ainda somos um bocado quadrados…). Ainda não falei com o pediatra, mas acho que vou experimentar mesmo que ele seja contra.

      • Ana diz:

        Sim, percebi! Já tinha pensado em alternar caso a regularidade das mamadas se tornasse demasiado exigente, mas não tinha pensado em ser especificamente antes do deitar, como forma de poder ajudar numa rotina de sono.

  5. D.S. diz:

    Amen 🙂
    (E agora vou fazer um bocadinho de advogado do diabo) Acho que pode ser muito fácil para uma mulher, especialmente nos primeiros tempos, sentir que o filho é só seu porque foi ela que o carregou na barriga durante 9 meses e o pariu. Compreendo que possa ser fácil resvelar para o amor possessivo. Até porque há todos aqueles mitos também de que o amor de mãe é instintivo e inerente a uma mulher, e que quando o bebé nascer se vai saber fazer tudo e não sei quê. Ou seja, é muito fácil, por tudo isto, ver o pai como apenas uma ajuda e com papel secundário. Do que eu discordo totalmente. Mas é preciso um esforço consciente para ir contra isto.

  6. Maria Bê diz:

    Querida Mariana,
    Entendo a tua frustração mas o amor não se mede aos palmos e muito menos o amor do pai se mede pela sua vontade de participar nas tarefas como o dar o biberão ou banho ou mudar a fralda.
    Culturalmente e historicamente, as tarefas relacionadas com os filhos, assim como as domésticas (serão parte destas?), têm calhado às mães, e os pais dividem-nas quando querem, ou a sua senhora assim o exige. A emancipação da mulher, a sua entrada no mercado de trabalho, tem alterado a forma como o pai, ou alguns pais, participam nos cuidados dos filhos, mas isso não deve estar ligado, de modo algum, aos afectos. Se assim fosse, e parabéns a ti e à Filipa e à cunhada da Izzie, que têm uns companheiros fantásticos, que dizer dos pais que não mudam fraldas ou deixam as noites terríveis única e exclusivamente para as mães dos filhos? (a mim apetece-me já chamar-lhes filhos da pu** mas gosto muito da senhora minha sogra…)
    Monsieur Bolacha mudou, até eu deixar os EUA, tinha o Max sete meses, no máximo, sete fraldas, uma por mês, parece-me bem. Noites? A resposta dele era “o meu cérebro amanhã tem de funcionar, tenho aulas para dar e papers para escrever, tu podes dormir”. Injusto, infeliz? Sim. Apeteceu-me mandá-lo para o caneco e dizer-lhe que os filhos também são dele? Sim. Apeteceu-me divorciar-me e mandar tudo para o espaço? Sim. Foi mau marido? Talvez. Mau pai? Jamais. Adora os filhos, nem mais nem menos do que eu, à maneira dele e o mais que pode. É um pai participativo que lê e ensina a filha a nadar e a jardinar. Lava-lhe os dentes e lê-lhe uma história todos os dias. Ama-a incondicionalmente e ela a ele. É o melhor pai do mundo. Do meu mundo. Dos meus filhos. Mas não os ama mais do que eu. E nem pode. Porque não se comparam laranjas com maçãs.
    E queria escrever mais mas tenho de ir… ahhhhh tanto para dizer, so liittle time…
    Sorrisos!

    • Filipa diz:

      Maria Bê, mas como tu dizes ele também participa, mas de uma outra forma. Não muda fraldas mas lê uma história. Penso que a Mariana se referia àquelas mães completamente obsessivas, que não deixam os maridos participarem em nada, porque acham que só elas é que sabem, só elas fazem bem… eu continuo a dizer que não há amor igual ao de mãe, que nos primeiros meses os filhos são muito “nossos” e que o instinto maternal está mesmo lá (lembro-me muito bem de um email que me enviaste, mal o Francisco nasceu, que dizia mais ou menos isso) mas também acho que esta aventura da maternidade faz ainda mais sentido quando partilhada, ainda que não existam regras nem fórmulas para essa partilha.

    • Mariana diz:

      Maria Bê, temos definições diferentes do melhor pai do mundo. Para mim, o melhor pai do mundo nunca poderia deixar o fardo das tarefas chatas só para a mãe e dedicar-se só às que lhe dão prazer. O melhor pai do mundo terá de ajudar a que a companheira possa também ser a melhor mãe do mundo e para isso ela tem de conseguir descansar e sentir que as responsabilidades chatas são partilhadas. É fácil fazer só o que é giro e só o que é bom, mesmo que a nós até nos pareça difícil porque se calhar não gostamos dessa parte. Mas ser o melhor pai do mundo, para mim, é fazer o que se gosta e não gosta, pelo bem estar da cria e de quem connosco a trouxe ao mundo.

      • Maria Bê diz:

        Mariana,

        Temos definições diferentes e ainda bem, senão seria uma monotonia. Permite-me adaptar a tua para a de melhor companheiro, esse sim deve ajudar a que a sua senhora seja o melhor que pode ser.

        Acho redutor que se qualifique de melhor pai o que dá uns banhos ou troca umas fraldas ou dá a sopa, a paternidade é muito mais do que isso. E há pessoas, mulheres e homens, que não têm jeito para bebés — eu, por exemplo, só gosto mesmo é de bebés, e tenho dificuldade em me relacionar com os miúdos mais velhos (espero aprender estratégias com os meus e a gostar de miúdos maiores, acho que já passou o prazo de devolução). Este é o caso do meu marido, não tem jeito e nem quer ter. Os pequenos muito pequenos são meus (iupi!) e quando forem maiorzinhos serão dos dois. Será, todavia, um pai participativo e educador, um homem que lhes dará segurança e colo e mimo e um berro quando for preciso. E será um pai para ninguém pôr defeito (já companheiro…).

        Finalmente, fico muito que no teu mundo haja um homem que, ao que parece, te vai ajudar a seres a melhor mãe que podes ser. Espero mesmo que saibas o quão privilegiada és, pais participativos que dividem as tarefas chatas, como lhe chamas, existem mas são poucos (mesmo que no teu mundo sejam todos assim).

        Sorriso!

  7. Maria Bê diz:

    Mais uma nota:
    Quando li o teu texto pensei que quando estava grávida do meu filho tinha medo de não gostar tanto dele como da irmã. Era um amor tão absoluto, tão infinito, que me assustava não ser capaz de amar igual. Fica mais fácil então perceber que uma mãe pensa que ninguém mais é capaz de tamanho amor, nem o pai da criança, esse amor tão absoluto e tão infinito.
    Finalmente, deixa o Gil nascer e tu seres arrebatada pela paixão que aí vem que depois falamos. Hehheheheh…
    Bom, de modo algum concordo com as mães que dizem as tretas todas que te irritam, e que também me irritam mas, permite-me os finalmentes: ninguém gosta tanto dos meus filhos como eu, qual pai qual carapuça. E prontes, tenho dito. Shoot me now.

    • Mariana diz:

      Não consigo fazer uma afirmação que me parece tão egoísta para o amor de um pai. E espero nunca vir a conseguir, por mais arrebatada – porque ele está tão arrebatado como eu, neste momento.

      • Maria Bê diz:

        Apercebi-me de uma coisa e desculpa se a análise da coisa é demasiado básica.

        Penso que a tua opinião advém do facto de teres ao teu lado alguém que está a vibrar com a aventura da gravidez tanto quanto tu, e que desde já diz que vai fazer e acontecer, mudar fralda e dar banho e partilhar noites e o catano. Penso que estás apaixonada pelo Gil e pelo ideal de pai que o pai-do-Gil será. Ele manifesta o afecto e isso entusiasma-te e faz-te pensar que todos são assim.

        Permito-me agora ir buscar o que escreveu a Filipa, que não amor igual ao amor de mãe. You wait and you see. E se não mudares de ideias, sabes que mais, então melhor ainda, porque o pai-do-Gil será absolutamente fantástico no seu novo papel e tu serás ainda mais feliz. E é verdadeiramente o que te desejo, do fundo do coração, que nunca me entendas.

  8. Maria Bê diz:

    Quanto à ideia de suplementares o teu leite com fórmula, faz o que te for natural, nas tuas mamas mandas tu. PORÉM… keep in mind que as mamas funcionam on demand e se adaptam e que o puto pode preferir o biberão à mama simplesmente porque é mais fácil.
    De qualquer modo, tem lá as tuas ideias mas deixa espaço para a flexibilidade, para fazeres como bem entendes depois dele cá fora, até porque podes nem ter leite ou ou ou… sem stresses, logo vês what works para a família.
    Sorriso!

  9. AEnima diz:

    Ola Mariana,

    Parabens pela gravidez, fico muito feliz em ler o teu post. Concordo plenamente que amor de pai e’ fundamental.

    Espero que nao tomes a mal, mas como trabalho com um grupo que faz investigacao em amamentacao ha mais de 20 anos em paises desenvolvidos (ocidentais) nao me sentia bem se nao te alertasse para alguma evidencia contra o uso de formula, nem que seja so ‘a noite e mesmo em paises desenvolvidos.

    Eu nao sou expert na area, trabalho so com o grupo que e’ expert (com colaboracoes UK, US, Australia, e nao em paises menos desenvolvidos), portanto ouco-os constantemente discutir a evidencia, os problemas, a dificuldade de implementar na pratica o que os investigadores ja sabem ha anos. Ha evidencia empirica (sao muitos os estudos e os investigadores na area) que demonstram como a amamentacao e’ fundamental no desenvolvimento psicologico e fisico do bebe (esta relacionado ate com melhor IQ, performance escolar, etc). E que introduzir formula, nem que seja so esporadicamente, como o caso do biberao da noite, destroi o padrao de amamentacao. Por muitas razoes e eu nao sei inumerar todas. Uma delas porque a forma de mamar e’ diferente, a tetina e’ diferente e pouco depois o bebe rejeita o peito e prefere so formula. Outra porque a producao de leite da mae tambem modifica, e e’ ‘a noite que ela produz uma hormona necessaria para a producao do dia seguinte, logo amamentar ‘a noite e’ fundamental. (nao sou medica, nao conheco o mecanismo dessa hormona nem sei se expliquei bem o caso).

    Tenho que alertar tambem que o estudo que saiu o ano passado no BMJ em que diz que nao ha evidencia que formula nos paises desenvolvidos tenha consequencias negativas, ja foi amplamente desacreditado, com todos os metodologistas a apontar as fontes de erros (selection bias, measurement bias etc) que estavam nessa meta-analise da literatura. Todos os experts na area que conheco (como te disse, nos 3 apises acima) defendem a amamentacao com unhas e dentes, continuadamente. Infelizmente em Portugal ainda nao. A minha irma sofreu isso na pele, com o pediatra de renome portugues a defender a formula e eu ate chorava por dentro a ve-la acreditar cegamente em teorias ja desprovadas ha 20 anos.

    Eu sei que tu es estudante de medicina e o quao dificil e’ mudar percepcoes de medicos, mas deixo aqui so alguns artigos sobre o assunto que te possam interessar se estiveres aberta a ler mais sobre o assunto.
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15384602
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10426170
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1974942
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23530169
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16905563
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23715457
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23420922

    Beijinhos tudo de bom!

    • Mariana diz:

      Olá! Obrigada pelas dicas e pelos artigos. Felizmente não me estás a dar novidade nenhuma, já tinha lido parte deles 🙂
      Uma coisa importante que queria dizer-te em resposta é que o bebé médio não existe. Isto é, os bebés não abandonam todos a mama por passarem a ter também biberão, nem todas as mães vêem alterados os seus padrões de produção de leite. Isto é verdade para alguns bebés, muitos talvez, mas não para todos. Cada caso é um caso e é preciso ir avançando lentamente em cada caso. Continuo a dizer que é muito mais importante para o desenvolvimento socioemocional de um bebé que ele tenha pais que não estejam completamente estourados nos períodos em que ele está acordado, para poderem interagir com ele, estimulá-lo e ajudá-lo a desenvolver do que tê-lo exclusivamente alimentado a mama.
      Repara, eu também sou a favor da amamentação, tem vantagens que mais nenhum leite tem. Mas também tem desvantagens, que é o que NINGUÉM te diz. Sabias, por exemplo, que os bebés alimentados a fórmula têm menos cólicas? E que dormem mais? E que desmamam e alinham nos sólidos mais cedo e mais facilmente? E que não há diferenças significativas no seu desenvolvimento, quando comparados 10 anos mais tarde? Mas há diferenças importantes entre bebés criados por pais presentes e disponíveis e bebés criados por pais estourados e emocionalmente desgastados. O importante é encontrar o equilíbrio.

      • Anna Blue diz:

        Olha, só via agora esta tua resposta. Vai na linha do que também penso.

      • AEnima diz:

        Acho que perdi a resposta anterior, nao ha mal.

        A evidencia que encontro e’ ao contrario – bebes alimentados a formula tem mais colicas. E bebes alimentados a formula desmamam e alinham nos solidos mais cedo (e’ um dos artigos que te passei ate), o que e’ visto como um efeito secundario negativo, e ligado ja a futuras intolerancias alimentares. E nos estudos longitudinais de longo prazo encontram-se ja diferencas significativas aos 7 anos e aos 14 anos no desempenho escolar (ligado a IQ) favorecendo o amamentamento. Nao estou a encontrar agora o estudo dos 14 anos mas encontrei este, do mesmo grupo, com o mesmo cohort: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0011570

        Desculpa, nao devia ter-me intrometido nesta questao porque cada um faz o que lhe parece melhor. Achei so que tinha a obrigacao moral de alertar. Como te disse, a minha irma nao ligou puto ao que eu e 20 professores em epidemiologia genetica e nutricional lhe aconselharam e a rapariga dela anda por ai muito feliz e contente.

        Beijinhos e felicidades

      • AEnima diz:

        Encontrei 2 outros… ainda nao eram os que te falava, mas sao as mesmas conclusoes (diferencas cognitivas no LP)
        http://www.bmj.com/content/336/7649/881
        e este
        Horta BL, Bahl R, Martines JC, Victora CG (2007) Evidence on the long-term effects of breastfeeding: systematic reviews and meta-analyses. Geneva: WHO.

      • Mariana diz:

        AEnima, por cada artigo que li a defender a amamentação em exclusivo encontrei outro que dizia quase o oposto. Além disso, acho que há sempre muitas outras variáveis que não estão a ser tidas em consideração – e no desenvolvimento socioemocional de uma criança não me parece que a amamentação seja a fórmula milagrosa.
        Além disso, estamos a falar de substituir 1 refeição por fórmula e de outra eventualmente dada em biberão, mas já com leite materno. Não acredito que resulte numa diferença tão abismal.

      • Anónimo diz:

        Claro que tens razao. O teu comentario de cada artigo que leio a defender uma coisa aparece outra a defender o contrario, fez-me sorrir. De facto ha evidencia e evidencia, e uma de melhor qualidade que outra, mas para isso e’ que ha metodologistas a dar aulas a medicos e a trabalhar com medicos. Por piada, fica aqui este editorial do Richard Horton no Lancet em 96 “Surgical research or comic opera: questions, but few answers” The Lancet, Volume 347, Issue 9007, Pages 984 – 985, 13 April 1996 doi:10.1016/S0140-6736(96)90137-3. Nao e’ na area, mas a mensagem e’ a mesma.
        Beijinhos e felicidades

      • Anónimo diz:

        A anonima era eu. AEnima

      • Xana diz:

        Mariana, eu tenho 3 filhos (3 anos, 2 anos e 1 mês) e fiz com os 3 o que tu planeias fazer. Eu amamento durante o dia, tiro leite com a bomba às 9 da noite (a última mamada antes disso é pelas 6 da tarde) e o pai dá um biberão de leite materno às 22:30. Depois volto a entrar eu ao “serviço”, pelas 4 da manhã. Ocasionalmente damos leite em pó, no biberão da noite ou noutra mamada qualquer que eu não dê por ter que fazer qualquer coisa fora de casa – nestes casos tiro sempre o leite com a bomba, para manter a produção. Nunca tivémos problemas de cólicas ou rejeição da mama. Usamos os biberões da Avent. O que aconteceu com as mais velhas foi que quando parei de amamentar e passou a ser só leite em pó, pelos 4 meses e meio, 5 meses, ficaram com prisão de ventre. Mas isso resolve-se facilmente se preparares od biberões com água do Vimeiro (por ser mais rica em magnésio). Acho que a partilha dos filhos entre os pais é fundamental para uma parentalidade saudável e para manter os casais apaixonados… e nós partilhando tudo temos 3 filhos em 4 anos e estamos a planear o quarto já a seguir 🙂
        Mas é como dizes: não há bebés médios e o que funcionaou comigo pode não funcionar com os outros… mas quando falámos do nosso projecto de partilha da amamentação na aula de preparação para o parto a enfermeira disse logo taxativamente que não ia funcionar, e a verdade é que funciona!

      • Mariana diz:

        Obrigada, Xana *

  10. Anna Blue diz:

    Não querendo entrar em rota de colisão com ninguém no que diz respeito à amamentação, quero apenas salientar que cada bebé é um bebé. Não sou fundamentalista da amamentação. Amamentei enquanto ambos (eu e o bebé) estivemos predispostos a isso. Pelo meio passei da amamentação em exclusivo para a mista (não me ocorre agora o nome), deixei de dar suplemento e voltei à amamentação em exclusivo, voltei a dar suplemento e ao sete meses ele deixou simplesmente de mamar e de querer beber leite (e ainda hoje não o bebe “puro”). Isto apenas para dizer que independentemente das nossas ideias ou dos estudos que lemos, tem de haver lugar a muito jogo de cintura e muita paciência. O que resulta com um bebé ou na maioria dos casos pode não resultar com o nosso. E sabendo isto poupam-se muitas amarguras, sobretudo quando as hormonas andam loucas e tudo nos parece uma tragédia. Eu que o diga.

  11. Navajovsky diz:

    Olá! Eu vinha cá dizer que em pediatria ensinaram o que já aqui escreveram: que por princípio não se deve introduzir fórmula a não ser que seja mesmo necessário porque isso tem tendência a alterar toda a amamentação, em vários aspectos, incluindo o risco de o bebé não querer mais mama. Também disseram que dava menos cólicas. E quanto ao descansar mais, já pensaste na possibilidade de tirar leite? Assim o teu marido podia dar na mesma, tu podias descansar e continuava a ser o leite materno. A minha tia quando teve o primeiro bebé ficou com os mamilos gretados e tinha montes de dores (chegava a chorar!) ao dar de mamar, por isso durante muito tempo a minha prima foi amamentada assim.
    (E queria só ressalvar que não sou nenhuma fanática do leite materno e não estou para aqui a tentar mudar a tua opinião, só te estou a passar a informação que tenho).

    De resto concordo parcialmente contigo. Concordo que amor de pai é tão valioso, grandioso e relevante quanto o da mãe e também acho que eles são perfeitamente capazes de ajudarem no que bem entenderem. As mães controladoras inervam-me como tudo. Por outro lado não acho que mudar fraldas ou não dar banhos indique que amem menos o bebé ou sejam piores pais, mas parece-me antes mais indicador de que são maus maridos. Porque há outras maneiras de interagirem, amarem e acompanharem os filhos…Mas verem a esposa a lutar com todas essas tarefas novas e com todo o cansaço que as mães sentem e não sentirem o impulso de ajudar e aliviar-lhes a carga é que não me parece nada nada nada bem.

    (PS. espero que as dores estejam melhores e que os exames estejam a correr bem e quase terminados. Força e boa sorte para o que falta!)

    • Mariana diz:

      Navajovsky, a razão pela qual os bebés abandonam a mama quando se introduz o biberão é porque este é mais fácil e requer que eles se esforcem menos – pelo que a tua sugestão dá o mesmo resultado 😉 Mas como disse acima, estamos a falar de trocar 1 refeição de mama por fórmula e de ter, eventualmente, uma outra de leite materno dado em biberão. Continua a ser uma minoria nas 8-9 refeições diárias e estamos a planear fazê-lo só quando a amamentação estiver bem estabelecida. A ver vamos.

  12. Filipa diz:

    Só para esclarecer uma coisa: quando digo que não há amor igual ao de mãe nao estou, de todo, a quantifica-lo. Nao consigo dizer que gosto mais do nosso filho que o meu marido. Sao amores gigantes, infinitos, mas distintos. Que na minha opinião se complementam. Nao concorrem entre si.

  13. Queen of Hearts diz:

    Acho que já perdi o fio à meada em relação ao teor e à intenção inicial do post, depois de ter lido todos os comentários. Só queria fazer dois ou três apontamentos de pensamentos que tive nos entretantos.
    1- Também acho complicado e, sob todos os aspectos, pouco saudável, o tipo da mãe açambarcadora. Se tem ou não a ver com amor, e mais com as competências que cada um(a) acha que tem, é outra questão. Eu acho que por vezes esse tipo de mãe actua um pouco por força de achar que ela sabe melhor do que ninguém e de querer evitar o conselho alheio, esse bem de tão ampla difusão em toda a parte onde exista um recém-nascido.
    Ou então não, e estou a pensar em casos particulares.

    2- Eu fui das mães (mais nos meses iniciais) que acumulou as noites com o cuidado diurno do meu filho. Ainda por cima, foi complicado por ser trabalhadora por conta própria e ter retomado o trabalho no escritório ao fim de relativamente pouco tempo. Custa realmente bastante ter noites tão entrecortadas no sono e ter de ter um cérebro funcional e útil durante o dia. Mas foi uma opção que tomei e da qual não me arrependo, sendo certo que por outro lado não quero armar em heroína ou em mártir. Praticamente obriguei o meu marido a dormir na sala durante algum tempo, e preferi ser eu a acordar. Porque, em primeiro lugar, eu amamentava durante a noite; e em segundo lugar, ele trabalha a dezenas de kms de distância, o que o força a dois percursos algo longos de carro por dia, e em estradas movimentadas e complicadas. Não sei, tinha medo que lhe desse o cansaço e ele se espetasse a direito num muro nalguma curva. De facto, não é pela actividade dos pais e das mães que se lhes pode medir o amor. No entanto, tudo o resto além das noites sempre foi mais que partilhado, e não por questões do que é mais prazeroso ou não… Por espírito de equipa e até por um pouco de compensação desse meu esforço nocturno.
    Por outro lado, nada a condenar na divisão do tal esforço nocturno. Julgo que a falta de sono terá influído e bastante no catalisar de uma depressão que me veio a acometer em pouco tempo de maternidade. E sim, concordo que isso é totalmente dispensável e nada favorecedor de uma experiência de maternidade em pleno e em estado total de “enjoyment”. Mas engraçado, que no meu filho, se bem que ainda bastante pequeno, não se nota a repercussão. Ele parece (-nos, a nós, e às pessoas em geral, que o comentam bastante) uma criança bastante feliz, resolvida, extrovertida e alegre.

    3- Acho que realmente isso do amor de mãe e tal, de facto, não faz tanto sentido assim. Mas será que, frequentemente, não se confundem as expressões? Porque uma coisa que eu acho que é inegável é que há “qualquer coisa” de mãe que, de facto, nenhuma outra pessoa tem com o nosso filho. Não julgo que tenha a ver com amor; o meu marido tem um amor imensurável pelo nosso pequeno, que se nota a milhas, talvez até de uma forma mais exteriorizada do que o meu. Mas a especificidade da ligação imaterial de uma mãe com um filho é que é única. É algo realmente pouco palpável, que às vezes se traduz num acalmar instantâneo com o toque ou o colo da mãe, o procurar a mãe em detrimento de todos os outros, ainda que o bebé esteja perfeitamente habituado a outros membros da família, ou mesmo aqueles surtos de visionarismo que se chamam “instinto”, e que as mães de facto (todas as que conheço) têm em relação aos filhos, ao seu bem-estar ou não, e que de facto os outros não têm. Será que isto não é muitas vezes confundido? Se calhar não, mas.

    4- Quanto à amamentação, não me pronuncio, tu sabes (se te recordares) que dei de mamar até tarde, e “I stand by my choice” 🙂 Embora não condene nenhuma outra diferente da minha. Mas queria só dizer, que tal como acho mito que um bebé que experimente o biberão não vai readaptar-se à mama tão bem (o meu sempre bebeu o meu leite pelo biberão, desde os dois meses, e mamou bem na mesma – mas eu já tinha a amamentação completamente estabelecida nessa altura, e pode ser que isso tenha feito diferença), que um bebé de fórmula tenha menos ou mais cólicas (parece-me muito mais a ver com a qualidade do sistema digestivo do bebé em si do que com o alimento, e às vezes até com o ar ingerido, que pode causar mais gases), acho honestamente mito que um bebé com um biberão à noite durma mais ou melhor que um bebé amamentado. O meu, a partir dos 2/3m, sempre fez 6h de primeiro sono, só com mama. O problema é que essas 6h eram das 21h às 3h… e depois começava o forró. Cheguei a tentar, no desespero de querer dormir, dar-lhe um biberão à meia-noite, com ele a dormir. Tentei com leite meu, e com fórmula. Nunca adiantou. Depois, de um dia para o outro, com 11m, começou a dormir a noite toda. Conheço alguns bebés amamentados que dormiram sempre a noite toda. Conheço alguns de fórmula que nunca deram uma noite descansada aos pais. E conheço alguns que ainda acordam várias vezes por noite, mesmo já comendo pratos quase iguais aos meus. Enfim. Como em TUDO nos bebés, acho que depende do próprio bebé. E acho que mais do que ciência, são outros factores em jogo, fora do nosso controlo (e isso custa). Mas obviamente que deves tentar seguir aquilo e só aquilo que a ti e ao pai vos fizer sentido. E espero mesmo muito que sempre tudo corra da melhor feição… porque o mais importante é que estejam sempre todos bem e vivam de forma mais feliz este caminho que vos espera.

    Desculpa o comentário tão grande, eu tenho realmente um problema de verborreia, é embaraçoso. Beijinhos

  14. Mariana diz:

    Para todas: no meu mundo os pais não são todos como eu descrevo, quem dera que fosse assim. Mas deviam ser ou, pelo menos, querer ser. Não percebo esta aceitação e justificação que li em alguns comentários, que diz que não há problema, uns não são tão bons a mudar fraldas ou a fazer isto mas são óptimos naquilo. Expliquem-me lá em que é que isto é diferente da velha luta feminista de que a casa é dos dois e por isso as tarefas dentro da mesma devem ser partilhadas? É porque com os bebés já não nos importamos de ser só nós, enquanto a louça e a comida e o passar a ferro já são coisas chatas? Eu acho que trabalhar para um mundo mais igual para homens e mulheres também passa por esta “educação” do homem para o cuidado dos filhos – afinal, se a casa é dos dois e, como tal, as tarefas também, então os filhos são ainda mais dos dois e tudo o que a eles diz respeito deve ser partilhado. Não estou a dizer que não haja divisão lógica das tarefas e que se o pai está a trabalhar não deva ser a mãe a assumir a alimentação nocturna ou outra coisa que queiram vir sugerir. Mas se é assim, então o pai deveria chegar mais cedo a casa ao final do dia para dar banho ao bebé ou deveria dar-lhe a primeira refeição do dia antes de sair para a mãe poder dormir mais umas horas ou ou ou tantas outras possibilidades.
    Honestamente não percebo a diferença entre a partilha das responsabilidades de uma casa e de um filho – tirando o lado egoísta de que as mães talvez não se importem de assumir os filhos a 100%, coisa que não se passará com a casa.
    Para mim, o melhor pai do mundo nunca o poderá ser se não for também um excelente companheiro. Se a coisa é feita a dois (ou a três, melhor dizendo), então estas coisas são indissociáveis. Tenho muita sorte, é verdade. Mas também faço por isso – era muito fácil absorver o filho totalmente e deixar o meu marido de parte, mas não é nisso que eu acredito. E espero não ficar tão toldada pelo amor e pelas hormonas que me transforme numa mãe assim.

    • Maria Bê diz:

      Mariana,

      Ora nem mais, a definição de um bom e de um bom companheiro são distintas. Eu acho que o pai dos meus filhos devia ter-me ajudado mais mas o facto é que não o fez. E, adianto, porque não quis. É inegável que ele tinha de trabalhar e o cérebro tinha de funcionar mais eficazmente que o meu, mas eu andei de rastos. E, como verás, nem é apenas o cansaço físico que te desestabiliza, há também um cocktail hormonal que te deixa quase bipolar, uma loucura que não raramente redunda em depressões pós-parto.

      This being said, e talvez seja o meu lado de economista que analisa estes acontecimentos com uma lente diferente, permite-me salientar que:
      #1. Diferentes pessoas são boas a desempenhar determinadas tarefas, e devem concentrar-se nelas, pelo que faz sentido que muitas vezes seja a mãe a chamar a si algumas das lides do bebé, como o banho;
      #2. Enquanto que eu estava de licença (para tratar do bebé), o meu marido não, e tinha de trabalhar e ser igualmente produtivo, coisa que é manifestamente incapaz de o ser quando não dorme (e também me assusta muito que adormeça ao volante). Em economês, o custo de oportunidade de uma hora mal dormida do rapaz é muito superior ao meu. E enquanto ele trouxer para casa quase o triplo do meu ordenado e o custo de uma hora do esforço dele for o triplo de uma minha, a matemática sugere que eu trate dos putos e ele faça research.
      #3. Lá em casa não dividimos as tarefas domésticas porque:
      a. Ele limpa mal como o raio;
      b. Temos limites mínimos de aceitação de níveis de porcaria diferentes;
      c. O tempo que ele gastaria a limpar a casa eu prefiro que ele faça consultoria para depois pagar a uma empregada and then some.
      d. Não sou menos quem sou e nem a feminista em mim esbraceja por desempenhar a maioria das tarefas domésticas, é coisa que não me chateia nada quando penso nas alíneas a a d.

      Finalmente, não acho necessário que depois do puto nascer te esqueças do teu marido, mas prepara-te para que haja mudanças e sê flexível, haverá momentos de tudo. A minha mensagem é só esta, sê flexível e não te agarres a ideias concebidas pré-Gil, porque nada te prepara para o que vem aí.

      Sorriso!

      • Mariana diz:

        Dizer a alguém antes de uma primeira experiência para não ter ideias pré-concebidas ou expectativas é tão útil como dizer a alguém em pânico para ter calma – é impossível. Eu sei que nada me prepara para o que aí vem, mas também sei que estaria muito pior equipada para o enfrentar se não tivesse ao meu lado a pessoa que tenho.
        Claro que tenho expectativas e claro que tenho ideias do que quero e não quero fazer ou deixar acontecer. Felizmente tenho formação suficiente para saber que a flexibilidade vai ser fundamental – sem esquecer os princípios maiores que regem a minha vida, o meu casamento e a minha forma de estar. Esses, por mais imprevistos, terão de se manter presentes, para não perder de vista o que é realmente importante para mim no meio de todo o caos que vocês me prometem.

      • Mariana diz:

        E para mim a definição de um bom pai e de um bom companheiro só são distintas nos casais divorciados. Em todos os outros para mim são indissociáveis.

    • Izzie diz:

      E concordo totalmente, porque sou uma raça de uma feminista do caraças, e lá em casa é tudo a dois, ou o home já tinha a cabeça rachada.

      • Maria Bê diz:

        Mariana,
        Disse para não te agarrares a ideias pré-concebidas como modo de evitar frustrações desnecessárias. De resto, acho excelente que estejas o mais bem informada possivel.
        Meninas, agarrai bem os vossos homens senão roubo-os a todos. Ou pelo menos tento!
        Sorriso!

    • Filipa diz:

      Pelo que já me fui apercebendo, as coisas nas nossas casas devem funcionar de forma muito semelhante por isso, vais ver que as rotinas se estabelecem de forma muito natural e que o teu marido vai estar lá para o que der e vier porque vai fazer questão disso! 🙂

    • Queen of Hearts diz:

      Para meu contentamento, posso dizer que a minha opção de assegurar a alimentação nocturna foi sempre largamente compensada pelo meu marido. Numa lógica de compensação bem natural, nada forçada. Era com todo o gosto que ele se levantava tipo às 6 da manhã, vinha buscar o bebé e passava uma horita com ele na brincadeira, só me acordando na hora de sair. Ainda hoje o faz, porque sabe que eu nunca mais dormi nada de jeito, desaprendi a dormir, vá-se lá saber porquê, e o nosso galo lá de casa às vezes ainda dá o toque de alvorada bem cedo. Os banhos e as refeições até lhe pertencem mais do que a mim, embora na verdade o critério seja o da disponibilidade na hora. Posso eu, faço eu. Não podes tu, faço eu. Fazes o jantar? Eu dou o banho e a sopa ao miúdo. E por aí fora. Tivemos sempre o entendimento de sermos os dois a fazer a viagem, excepto no que dizia respeito à amamentação, e por arrasto às noites. (eu não extraía leite para a noite porque tinha de o extrair para o dia de trabalho, não dava para tudo e durante a noite tinha mesmo de ser directo da fonte, porque fora experiências desesperadas, a opção foi mesmo pelo não uso de fórmula)
      No entanto, devo dizer que não deixo de concordar com a Maria Bê quando cria alguma distinção entre o bom companheiro e o bom pai. Eu acho que, no fundo, estes actos revelam mesmo é a personalidade de cada indivíduo, acima de qualquer função que desempenhem – companheiro, pai, profissional. Mais egoísta, mais focado, mais preguiçoso, mais expedito, mais generoso… enfim. Mas no limite, e se tivesse que enquadrar nesses termos, diria que os actos que se praticam para com um filho bebé – a fralda, a comida, o banho, o acordar nocturno – são mais reflexivos entre o casal em si do que para com o bebé. O bebé satisfaz-se com a satisfação das suas necessidades. Tem barriga cheia, tem fralda limpa, não tem frio, não tem calor, não tem dores, tem miminho, tem amor – está feliz. Eu também não percebo bem a distinção entre a partilha das responsabilidades de uma casa e de um filho – e acho inclusivamente que tudo isto tem mais a ver com a relação entre o casal, do que com a relação entre pai e filho – e é por isso que acho que não é muito justo indissociar o bom pai do bom companheiro, mesmo entre pessoas casadas. Não é à mãe, nem a nenhum outro terceiro à relação, na minha opinião, que cabe julgar a bondade de um pai. É ao beneficiário dessa qualidade, ao filho, quando este o saiba ajuizar.
      Se, num cenário hipotético, eu dissesse ao meu marido “desculpa, mas o teu trabalho é rotinado e o meu não, eu preciso muito do meu cérebro durante o dia, por isso santa paciência mas és tu que te vais levantar de noite porque eu preciso de dormir”, eu não gostaria que nessa sequência o meu marido ou qualquer outra pessoa sustentasse que eu não era uma boa mãe. Eu poderia compensar isso de uma forma incansável durante muitos anos, mais tarde, e o meu filho poderia achar que eu era a melhor de entre todas as mães, mas no reverso da medalha teria sido rotulada de “má mãe” porque tomei uma decisão “executiva” em determinada altura, que fez com que a outra parte tenha feito um sacrifício maior – e, ao fim e ao cabo, foi essa a única relação que saiu penalizada.
      Não sei se me faço entender, e bom, também estou a passar bastante as coisas para o plano conceptual… Obviamente que conheço casos em que o marido e pai não levantava uma palha com os filhos, porque entendia que não era o papel dele, e a mulher/mãe por seu lado também era uma pessoa mais açambarcadora e deixava rolar embora estivesse mais passada a ferro que uma camisa engomada, e guardasse ressentimento contra o marido pela inércia dele (não que ela o deixasse fazer, mas queria que ele se oferecesse pelo menos). Não há como achar este cenário o mais condizente com a nossa era, concerteza.

      • Maria Bê diz:

        Queen,
        Era aí que eu queria chegar, obrigada pela tua clareza (mim ❤ a tua verborreia!). O pai dos meus filhos muda poucas fraldas e vai-se esquivando aos banhos do mais pequeno mas compensa largamente em outros aspectos que, a meu ver, são bem mais importantes para o desenvolvimento emocional e cognitivo dos nossos pequenos. Não trocaria o modo como fala à filha de 3 3/4 anos da fotossíntese por ter mudado mais umas fraldas, ou a paciência com que em geral tem para ela — ele brinca com a casinha de bonecas como eu não sou capaz!
        Entretanto vou procurar uns artigos sobre a racionalidade da concentração de tarefas de que falei acima e depois aviso (uma aplicação catita da teoria das vantagens comparativas de David Ricardo).
        Sorriso!

  15. Filipa diz:

    E vais ver que não vai ser caos nenhum. Há momentos mais complicados, não nego, mas tu já levas uma óptima “bagagem” de conhecimento e preparação, na minha modesta opinião, muito importante. Vai correr tudo lindamente!

    • Queen of Hearts diz:

      Eu até acho que não se trata de caos, Mariana. O caos só acontece na falta de ordem – não me parece que o problema passe necessariamente por aí. O que acontecem são imprevistos e quebras de expectativa, isso acontece muitas vezes ao longo do caminho, e acontece na esmagadora maioria dos casos. O que é preciso é saber-se lidar, adaptar, etc. Eu tive grandes problemas com isso, mas penso honestamente que tu não os terás, pelo que te leio. Até porque a tua bagagem de psicóloga te irá ser um asset fundamental e valiosíssimo nesse campo (mais até do que o conhecimento, digo-o eu que sou uma voraz “buscadora” de preparação e conhecimento, e dizem-no as médicas e mesmo pediatras que por aí leio 😉 ). E certamente que não há qualquer tipo de necessidade de comprometeres os princípios que te norteiam. 😉

  16. badmary diz:

    Olá,
    concordo muito com o que dizes. Tanto que acho que é um dos motivos que me leva a retardar a maternidade: o não ter 100% de certeza da maneira como o pai reagiria e se eu saberia lidar com isso. Enfim, também me dizem que faço muitos filmes de terror 🙂
    Relativamente à amamentação, em conversa com uma amiga que tem uma criança de 2 anos, houve uma coisa que ela comentou e que achei interessante. Ela amamentou até cerca dos 9 meses mas quando voltou a trabalhar (pelos 3 meses) o pai ficou com a criança (ela tirava leite) e dava-lhe biberão. A mãe nunca lhe deu biberão! Com a mãe mamava e com o pai era biberão! A verdade é que o puto nunca rejeitou a mama… Terá relação? Não sei, mas achei muito interessante 🙂

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