manual de instruções

Dorme duas horas ao colo da minha santa tia, enquanto eu estudo ou faço que sim, que também preciso de gazeta de vez em quando. Acorda à hora de almoço. Mama, sorri, canta a mamar. Depois, sentados na mesa da cozinha, sopa de abóbora para ele e arroz com ovos estrelados para mim. No fim, partilhamos uma laranja, a sua fruta favorita.

Ainda agora nascido, ainda agora na luta para lhe tirar o suplemento e ficar só com a mama, já come. Optámos por seguir a natureza e a curiosidade dele, em vez do calendário, e quando começou a mostrar curiosidade por comer, fomos dando a provar algumas coisas. Foi muito confuso, durante a gravidez, aceitar que não há respostas certas, nisto de começar a dar comida a um bebé. Sossegámos quando percebemos que os primeiros alimentos dos bebés europeus são diferentes dos dos bebés asiáticos, africanos, sul-americanos. Não há certezas absolutas, relaxámos.

E sim, eu sei que um bebé desta idade não deve, segundo os canones europeus, comer laranja. Mas há pediatras de um e doutro lado desta questão – ou seja, mais uma vez, não há uma resposta certa. Ele pediu, nós demos com cuidado. Não fez alergia, continuámos a dar. É a fruta favorita, aquela que come enquanto houver e nós lhe dermos. Ele e nós sabemos mais sobre ele do que qualquer pediatra que o vê uma vez a cada dois meses. O bebé é o seu melhor manual de instruções.

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8 thoughts on “manual de instruções

  1. Filipa diz:

    Penso que introduzimos a laranja aos 6 meses. Ou terá sido aos 9? Já não tenho a certeza. Isto passa tudo muito rápido. De qualquer forma, faz o que te diz o coração [e o Gil]. 🙂

  2. Joana diz:

    Fiz o mesmo quando descobri que num país proíbem a batata na sopa dos bebés e que noutro a primeira fruta é a papaia. Aqui uma das primeiras frutas foi kiwi e ainda é a sua fruta favorita.

    • Mariana diz:

      Cá já foi pêra, maçã, banana (as óbvias), manga, papaia, laranja e tangerina. Esta não é grande época para variedade de frutas…

      • Joana diz:

        A primeira fruta até foi pêssego por volta dos 5 meses, estava a comer um e a miúda começou a babar-se e a estender as mãos. De qualquer maneira digo sempre amém ao pediatra quando me fala em maçã cozida e banana. É isso e quando me diz que não posso dar de mamar à noite ao meu bebé de dois meses…

      • Mariana diz:

        Eu fico doente com o pouco que os pediatras (ou a do meu filho, pelo menos) sabem sobre amamentação. A minha também disse, lá para os 3 meses, que tinha de começar a espaçar as mamadas, para lhe dar só de 4 em 4h. Ora e se ele tivesse fome ao fim de duas era suposto fazer o quê, ficar a ouvi-lo berrar durante 2h? E como é que o meu corpo saberia que o rapaz estava num pico de crescimento e que tinha de aumentar a produção se ele não aumentasse o número de vezes que mamava?
        Fruta cá dou sempre crua. Cozinhada só misturada com flocos de cereais, para fazer papas caseiras e sem os quilos de açúcar das industriais. Começamos hoje na aveia, para ir introduzindo o gluten devagar.

      • Joana diz:

        Não sei como está o curso de medicina agora, mas há meia dúzia de anos o que nos ensinavam sobre amamentação era praticamente zero. Apesar de dizer algumas barbaridades e de ser adepto no método Estivill (vade retro), este até foi o pediatra mais pro-amamentação que encontrei (foi o único que não mandou dar suplemento e insistiu na amamentação quando a miúda estava no percentil 5 de peso).

      • Mariana diz:

        Estivil, Ferber, tudo tortura disfarçada para bebés.

  3. Anna Blue diz:

    Concordo contigo. O (nosso) bebé é o melhor manual de instruções. Ainda hoje me debato por vezes com muitas dúvidas se estarei a tomar as decisões correctas (e acho que será sempre assim), mas creio que o fundamental é ir interpretando os sinais, ir percebendo até onde eles querem/podem ir e ir aprendendo a largar a mão, deixá-los fazer caminho e dar a mão (e sobretudo o coração) sempre que for preciso.
    Em relação a um post ali em baixo em que falavas do tempo que não tens, eu dou por mim a pensar muitas vezes que, se por um lado é angustiante para mim estar desempregada (e com todas as ralações que isso implica a nivel financeiro e não só), por outro sinto-me abençoada por poder ter todo o tempo do mundo para o acordar e brincar com ele. Não há dinheiro que pague isso. Claro que gostaria de ter dinheiro e poder fazer muitas mais coisas que hoje em dia não posso fazer, mas poder acompanhar o crescimento dele em pleno, ficar com ele sempre que está doente sem qualquer constrangimento, acordá-lo de manhã sem pressa, não tem preço. Em principio irá para a escolinha a seguir ao Verão e aí é que vão ser elas…

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