a puta da culpa apanha-nos sempre

Nunca quis ser mãe a tempo inteiro, mas depois tem-se um filho e as hormonas deixam-nos a pensar nisso. Ah e tal se calhar é melhor para ele e quase nos conseguimos enganar e acreditar que não precisamos de outra coisa para sermos felizes.
A muito custo lá saímos de casa, deixamos a criança entregue a alguém de confiança, escolhido a dedo, e vimos cheios de culpa de regresso ao mundo que, surpresa, continua a existir fora da nossa condição de mãe. Ao fim de algum tempo começamos a sentir- nos normais outra vez, sabemos isso quando nos apercebemos que não olhámos para o relógio setecentas e vinte e três vezes por hora, que conseguimos pensar noutra coisa que não no bebé que abandonámos em casa e até vamos sendo capazes de raciocínios mais ou menos completos e inteligentes.
E é aqui, pumba, que volta a culpa, a puta da culpa, porque se conseguimos ser tão distantes e normais tendo abandonado a criança, privando-a da sua mãe, só podemos ser umas cabras sem coração. Foda-se.

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7 thoughts on “a puta da culpa apanha-nos sempre

  1. Izzie diz:

    Já sei que não percebo nada porque não pari e não conheço essa bênção que é ser mãe, mas isso é estupidez. A criança fica muito bem e só lhe faz bem, e a ti também.

    • Mariana diz:

      Eu sei, racionalmente sei isso muito bem. Mas a culpa não é racional, consta.

      • Izzie diz:

        Mas, ao que venho observando nos meus pares, é um bocadinho geracional.

      • Mariana diz:

        Não acho que a culpa – sofrimento à parte – seja necessariamente má. É a culpa que me faz vir para casa e dedicar tempo de qualidade ao meu filho, se calhar mais tempo e mais qualidade do que dedicaria sem ela. O que fazemos com a culpa é que pode ser bom ou mau.

  2. A culpa parece um pica-pau na cabeça das mães e quanto mais os miúdos crescem mais ela se transforma, digo isto porque (já) não me custa deixá-lo na escola, custa-me mandá-lo para a cama

  3. Caco diz:

    É bem verdade. Há dias em que nem nos lembramos, mas há outros – no meu caso, sobretudo quando vou a caminho de casa, ao fim do dia – que me questiono sobre a “ordem” das coisas… Estou o dia inteiro fora de casa a trabalhar numa empresa, que nem minha é, para pagar a uma “estranha” para tomar conta do MEU filho??!

  4. Ainda bem que vais à frente. Depois dá-me dicas como lidar com essas coisas todas! Beijinhos!

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