infinita gratidão

Tens 13 meses. Sobes e desces do sofá com uma ligeireza de quem tem mais e a despreocupação de quem não conhece consequências. Corres atrás das pombas no parque e é difícil acreditar que só caminhas há dois meses. Tens 13 meses, tão grande e tão bebé, tanto tempo e tão nada.
E eu escrevo para não esquecer, com medo que a memória e a mudança me levem para sempre este bebé que já quase não és.
Quero lembrar sempre o fascínio e o brilho nos teus olhos quando murmuras baixinho a palavra água. A forma como danças em qualquer lado, havendo música – até no meio da rua, ao som do rádio de um carro parado. Os xi-corações e os beijos que me dás. Os teus acordares tão doces, cheios de sorrisos e mimos. A forma como dizes mamã a meio da brincadeira, como quem diz olá e se certifica que continuo ali. O sorriso, esse sorriso de dentes grandes à espreita, tão doce, tão igual ao meu.
Quero lembrar-me de ti e do pai. Do amor doce que ele tem por ti, da felicidade que sente quando deixas que ele te adormeça. De como é ainda tão surreal que tenhas sido feito por nós, do nada. E tu ao colo dele, depois do jantar, sentados a ver os carros na varanda, os teus pés pequeninos nas mãos dele.
Quero lembrar-me de tudo, das tuas conquistas e feitos, mas mais que isso quero lembrar-me de ti, dos teus contornos, das tuas expressões, do teu cheiro. É tão fácil esquecer, filho. E com as tuas mudanças tão constantes já nem me lembro bem como era o teu peso pequenino no meu colo. Não me lembro do teu choro ao nascer, mas nunca serei capaz de esquecer como era macia a tua pele, tão suave que parecia que não tocava em nada, quando te fazia festas nas bochechas. Que sorte, que sorte ter podido ser tua mãe a tempo quase inteiro, nestes 13 meses.

Queria filmar-te a toda a hora para nunca esquecer mas decido sempre que viver-te é mais importante. E espero que a memória nunca me traia completamente e nunca te leve todo de mim.

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One thought on “infinita gratidão

  1. Anónimo diz:

    Com o meu filho também com 13 meses, podia ter sido eu a escrever estas linhas. Obrigada por pores por escrito aquilo que tenho dificuldade em expressar ( é por isso que te acompanho desde que descobri o teu blog na tua gravidez que coincidiu com a minha 🙂 ) Um beijinho grande

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