explicar o sns

Vamos imaginar que o vosso filho fazia anos e levava um bolo para a escola, para repartir pelos colegas. Para chegar para todos, tinha de cortar fatias fininhas e se calhar havia alguns meninos que ficavam menos saciados.

Isto é o SNS explicado de forma simplista e um bocado linear. Mas o SNS é assim. Para ser universal e poder dar, potencialmente, os mesmos tratamentos a toda a gente, não pode dar os tratamentos mais caros. É por isso que os fármacos de quimioterapia usados em Portugal não são os de última linha – se fossem, só podíamos tratar uma fracção dos doentes que tratamos agora. São fármacos bons, com uma taxa de eficácia elevada, mas não são os topo de gama.
Esta é a realidade do nosso SNS. O mal é ser uma realidade escondida, encapotada, e não admitida frontalmente. Não explicada às pessoas, de forma clara e simples mas sobretudo honesta.
É isto que depois dá origem a polémicas e mal-entendidos. Admitindo que o primeiro ministro não escolheu bem as palavras e não se soube explicar, o que ele disse é verdade e é verdade todos os dias: não salvamos e não podemos salvar vidas a qualquer custo. Porque para disponibilizar um tratamento para uns temos de ser capazes de, se necessário, o disponibilizar para todos. É isto a igualdade e universalidade de acesso aos cuidados e é um dos custos necessários de um sistema gratuito.

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11 thoughts on “explicar o sns

  1. Izzie diz:

    Sim senhora, concordo, mas uma pessoa não faz um bolo igual para uma turma de 10 ou de vinte gaiatos.

  2. Fica tão dividida com esta polémica que nem me consigo pronunciar. Faz-me lembrar algumas brigas conjugais intermináveis em que, na realidade, ambos até têm razão.

      • Mariana diz:

        Eu também, mas há casos, como este, em que sinto que a maioria das pessoas não tem a informação necessária para poder pensar racionalmente sobre o assunto. Claro que quando somos nós ou os nossos a estar doentes pensamos de outra forma e também estamos certos ao “exigir” tratamento. E é por isso também que estas decisões têm de ser políticas e não médicas, para serem medidas sem rosto e o mais universalmente justas.

  3. Anónimo diz:

    Mas parece-me que esta questão da hepatite C não está relacionada com dar o tratamento mais caro, mas não dar o tratamento de todo, o único tratamento. É caro? Sim, é, mas não é para isso que descontamos?

  4. ML diz:

    É tal e qual isto que penso. Infelizmente essa é a realidade.

  5. Margarida diz:

    É mesmo uma situação triste e complexa. Nem todas as situações se resolvem com escolher o tratamento menos topo de gama. Em muitas situações, o tratamento por si é sempre muito caro 😦 Uma pessoa que precise de um desfibrilhador, por exemplo, não pode mesmo pôr um pacemaker só porque o pacemaker é mais barato… E um desfibrilhador é muito, mas mesmo muito caro, menos sem ser topo de gama. Também penso que há critérios que têm de ser clínicos e não apenas políticos. É preciso fazer escolhas porque de facto não há dinheiro mas talvez com uma parceria medico-política 🙂 Enfim… Uma chatice… Beijinhos

  6. Dito assim é tão mais fácil de perceber!

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