gente nas mãos 

Não sei o que fazes nem como te chamas. Estavas ali aberto, voluntariamente entregue às mãos que te operam. Vi-te o sangue as entranhas o âmago onde, quem sabe, morará a alma. Quase em cima da tua cabeça espreitava para dentro de ti, sem me ocorrer que és mais que aquela carne cortada. Desviei o olhar, ajustei o adesivo que te fechava as pálpebras e senti-me a invadir-te. Eu, que não tinha as mãos dentro de ti, que não te cortava a carne nem te sentia o sangue quente. Que só te ajustei ao de leve o adesivo. Às vezes são as coisas mais pequenas que nos batem com mais força.

Anúncios

2 thoughts on “gente nas mãos 

  1. Margarida diz:

    Lembro-me de sentir exactamente o mesmo. Beijinhos!

  2. Eu é o puxar o lençol até à cabeça.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: