Monthly Archives: Março 2016

it’s a new day

Hoje faço 35 anos. Não sei bem para onde foi o tempo e ao mesmo tempo sinto que os vivi bem. Sinto-me muito melhor na minha pele aos 35 que aos 25, apesar de manter os mesmos defeitos que me apontava há 10 anos. 

Vivo todos os dias com a sensação de ainda não ter feito nada com a minha vida. Racionalmente reconheço que é um bocado idiota: sou casada com um homem que amo, vimos muito mundo, construímos uma família. Mas não era assim que eu, aos 18, via os meus 35. Não tenho uma carreira. Não ganho um salário. Sinto que não contribuo directamente para a sociedade. Não é racional, é profundamente emocional. E custa-me todos os dias.

Mas os anos (sobretudo desde que o meu filho nasceu, parece-me) também me trouxeram uma serenidade nova. Há coisas que eu não consigo mudar e aprender a aceitar isso tornou a minha vida muito mais fácil. Escolho melhor as minhas batalhas, em vez de disparar em todas as direcções. Sou mais serena, apesar de, necessariamente, menos emotiva. Já não vivo com o coração bandeira. 

São 35 anos. Uma vida profissional (que eu amo) prestes a começar. Um filho incrível e o melhor marido do mundo. E a percepção de que ser feliz é, muitas vezes, uma escolha. Da forma como olhamos para as coisas, da forma como as integramos nos nossos contextos. E hoje, mais que nunca, eu escolho ser feliz.

odiozinhos de estimação 

Canja não é sopa, é um guisado muito aguado.

enquanto houver estrada para andar 

Estou sentada num café de onde vejo a tua casa mas que não existia quando morreste. Daqui a cinco minutos o pai vai sair de casa para ir levar o meu filho à escola, o neto que não conheceste. O pai agora joga golfe, sabes? E eu praticamente já acabei medicina. A S. fez 30 anos! 

Mudou tanta coisa e, ao mesmo tempo, nós continuamos parados naquele dia 1 de março, quando o telefone tocou. Eu continuo a pensar, por fracções de tempo cada vez mais pequenas, que tu hás-de voltar. 

Tenho saudades tuas, mãe. E doí-me todos os dias ver aquilo que estás a perder.