Category Archives: cabeça gorda

ainda o chocolate

Ontem, estava eu a formatar um powerpoint (essa bela actividade de domingo à noite) quando, irritada com tão linda e interessante tarefa,  disse a marido que assistia ao derby que tínhamos de ter sempre chocolate em casa. Toda a gente sabe que não há nada melhor para um espírito irritado que chocolate. Se esse espírito pertencer a uma grávida hormonalmente instável e que não pode emborcar um gigantesco copo de vinho tinto, então não haver chocolate em casa devia ser crime.

Hoje, no supermercado, já esquecida da noite passada (que é outra rica prenda das hormonas – além de me baixarem o limiar da frustração para mínimos nunca vistos, também me levaram a memória), armei-me em parva saudável e não trouxe chocolates, bem bastou a época das amêndoas e ainda bem que já lá vai, ufa. Estúpida.

Isto para dizer que sim, fui mesmo ao carro, onde jaziam umas Reese’s Peanut Butter Cups que vieram da loja americana no sábado e que tinha lá deixado sem querer. Estão agora no congelador à espera de ficarem mais compostinhas, para rapidamente desaparecerem sem deixar rasto.

accio, chocolates!

(ou o momento geek do dia)

Os únicos chocolates de que sou de momento proprietária ficaram lá em baixo no carro. Se Hogwarts só me deixasse escolher um feitiço nem pensava duas vezes.

epicurismos de água na boca

Não gosto de quiche nem de esparregado nem de coisas com molhos de natas ou de leite ou de queijo. Não gosto de ovos moles nem de pão-de-ló nem dos doces conventuais que quase só me sabem a ovo. A maioria dos doces tradicionais portugueses é assim, com quilos de gemas porque as freiras precisavam de as aproveitar, depois de usarem as claras para engomar as partes brancas e duras dos seus hábitos. Gosto muito de comer mas pouco da doçaria portuguesa. Nunca fui mais bolos, sempre pendi para o salgado e não há nada como um bom rissol, com a massa fina e crocante, bem frita, e um recheio húmido e saboroso, com um bocadinho de chouriço a dar graça à carne. Nada dessas modernices dos rissóis de leitão, que pouco mais têm que o molho de pimenta (já disse que odeio pimenta?) ou da falcatrua que são os de camarão, quase só farinha e sopa de marisco e do dito, verdadeiramente, pouco ou nada.

Sou uma boa boca portuguesa. Feijoada à transmontana (ou à brasileira, não sou esquisita e gosto muito de farofa e couve mineira), rancho feito pelo meu pai, o cozido da minha mãe. Bacalhau na brasa com batatas a murro, bacalhau de quase todas as formas, menos com natas ou num sufflezinho, há lá formas mais vis de tratar o bacalhau? Gosto da comida portuguesa no espírito em que nasceu, rude e caseira, enfarta-brutos, coisa de puxar carroça. Nada das invenções pós-modernas com espumas, reduções e ares de coisa fina. Gosto das mãos calejadas que os fazem já de forma automática, sem pesos ou medidas, aquele vais vendo que me diz a minha avó quando me passa uma receita e que me deixa na obscura certeza de nunca nunca nunca a conseguir replicar. Gosto da sopa a saber a couves e feijão vermelho, a horas de fogo baixo e mãos que a mexem pouco, nunca mais do que o estritamente necessário. Gosto da nossa herança gastronómica como ela é, sem toques gourmet ou nomes de meio metro. Gosto das tascas, das tradições, das panelas de ferro que já conhecem os cantos ao caldo. E sem vontade de serem mais do que o que são, comida boa e simples, que faz parte de nós.

homem prevenido

No meu frigorífico há, neste momento, 4 embalagens de manteiga. Acho que o meu marido tem medo que venha aí um cataclismo bovino qualquer que o deixe sem o seu pãozinho.

desejos

Quando o puto nascer vou passar um mês a presunto e caipirinhas.

se eu soubesse que era assim… #1

Estar grávida é muito giro (err…) mas dá cá uma fome…

inventei a dieta da internet

Ter 31 separadores abertos é preguiça, desleixo ou procrastinação? E se 1 for o mail, outro o facebook e 28 forem receitas que quero muito muito muito fazer mas não posso senão lá se vai a linha? Comer com os olhos sempre é melhor que com a boca.

amores carnais de mulher casada

Passei toda a minha vida sem gostar de figos, até que os descobri, há dois verões. Desde então, andamos naquele início de relação, a comer-nos desvairada e apaixonadamente de cada vez que nos cruzamos.