Category Archives: dias bons

a vida é este agora 

Uma super cama de hotel feita de duas de casal unidas onde dormimos os quatro tranquilos e felizes. Onde a L. dorme no meu colo, onde o G. come uma maçã  com as pernas na parede. Onde o nosso amor tem forma de paz e gente.

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it’s a new day

Hoje faço 35 anos. Não sei bem para onde foi o tempo e ao mesmo tempo sinto que os vivi bem. Sinto-me muito melhor na minha pele aos 35 que aos 25, apesar de manter os mesmos defeitos que me apontava há 10 anos. 

Vivo todos os dias com a sensação de ainda não ter feito nada com a minha vida. Racionalmente reconheço que é um bocado idiota: sou casada com um homem que amo, vimos muito mundo, construímos uma família. Mas não era assim que eu, aos 18, via os meus 35. Não tenho uma carreira. Não ganho um salário. Sinto que não contribuo directamente para a sociedade. Não é racional, é profundamente emocional. E custa-me todos os dias.

Mas os anos (sobretudo desde que o meu filho nasceu, parece-me) também me trouxeram uma serenidade nova. Há coisas que eu não consigo mudar e aprender a aceitar isso tornou a minha vida muito mais fácil. Escolho melhor as minhas batalhas, em vez de disparar em todas as direcções. Sou mais serena, apesar de, necessariamente, menos emotiva. Já não vivo com o coração bandeira. 

São 35 anos. Uma vida profissional (que eu amo) prestes a começar. Um filho incrível e o melhor marido do mundo. E a percepção de que ser feliz é, muitas vezes, uma escolha. Da forma como olhamos para as coisas, da forma como as integramos nos nossos contextos. E hoje, mais que nunca, eu escolho ser feliz.

os filhos e os netos de abril

É 25 de abril e não há cravos cá em casa. Tu nunca te terias esquecido de os comprar, mas eu, no meio do sono acumulado de 21 meses de noites mal dormidas e da telha imensa que me atormenta a dieta, esqueci-me. 

Mas hoje, depois de ter ido almoçar com o pai e me ter deixado em casa a trabalhar, o meu filho, o neto que me custa tanto que não conheças, entrou em casa com o sorriso que é tão meu e estendeu, orgulhoso, a mão pequenina que segurava um cravo vermelho.

coisas que enchem o coração

Ele a dançar com o nosso filho ao colo, a embalá-lo ao som do Killing me softly. Cantado por ele.

deslumbramentos ou as saudades que eu tinha de ler

Numa próxima vida quero vir como Alexandra Lucas Coelho.

paraíso

Dormir o suficiente é poder levantar-me sem despertador, entre as 8 e as 9h. Acordar devagar ou com os gatos aos saltos, levantar-me e abrir a varanda da sala porque já cheira a Verão lá fora mesmo que ainda entre a brisa fresquinha. Sentar-me no sofá com uma fatia de bolo, passar os olhos nos blogues, fazer mentalmente a lista do mercado, preparar-me para trabalhar qualquer coisa enquanto o marido se desforra do sono perdido durante a semana. Ver o mar ali ao fundo, há mar no horizonte da minha casa e isso surpreende-me sempre e é daquelas coisas tão simples (nem sequer é muito mar, é só mar) e que me fazem tão feliz. Não preciso de muitas horas de sono para acordar feliz, só de não ser arrancada da cama antes das sete, a não ser que seja para esvaziar a bexiga que tem encolhido e voltar para a cama mais um bocadinho. O meu paraíso é muito simples, dormir até às 8h, mar na janela (que também podia ser um quintal de árvores e relva em vez do mar), uma fatia de bolo, gatos mimalhos e o amor da minha vida a dormir ali ao fundo.

a maravilhosa leveza de poder escolher

Podia entrar agora mesmo de férias e por lá ficar até dia 13 de fevereiro. Não vou, que me vou pôr a fazer uma melhoria no dia 4. Mas podia.

hoje portei-me mal

Se não as vigio bem, as manhãs fogem-me sem dar cavaco. Hoje, por exemplo. Levantei-me às 10h, tomei banho e o pequeno-almoço, enfiei roupa de casa, quentinha e confortável, e sentei-me na cama de livro na mão. Cinco páginas depois estava enrolada no gato, a dormir outra vez. Ainda pensei levantar-me, tenho tanto que fazer, mas um dia não são dias e uma manhã por semana parece-me boa conta para as minhas folgas. Lá fiquei até à uma, quando a fome falava mais alto que a vontade de continuar na ronha.

Agora estou aqui a tentar não sucumbir à culpa judaico-cristã de me ter deixado tentar por um dos sete picaides mortals. Enfim, há-de passar nem que seja com anti-ácido.