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dias de telha

A vida devia ser mais que este eterno cansaço.

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odiozinhos de estimação 

Gente que escreve “gambas à guilho”. 

Vejo-nos a levar os nossos filhos à escola ou sentados nas reuniões, nós que andámos juntos na escola, se não na mesma turma em turmas paralelas, nós que fizemos intermináveis meses de praia juntos, que jogámos volei e ao buraco, que fizemos moches, que íamos lá abaixo à noite, que reclamávamos sempre que nesta terra não há nada que se faça, que acabávamos invariavelmente na padaria aberta de madrugada, e acho-nos tão novos. Não temos idade para ter filhos, empregos, contas para pagar, cabelos brancos e primeiras rugas. Ainda ontem dançávamos Robert Miles todos os sábados à noite, ainda ontem saiu o Dookie, ainda ontem bebíamos Smirnoff Mule e ríamos como se aquele verão não tivesse fim.

medo da noite 

Ando sempre exausta mas a chegada da noite deixa-me sempre ansiosa. Já sei que não vou dormir, que não vou descansar ou recuperar ou relaxar. Passo a noite a ser acordada, sugada e chateada. Queria tanto cinco horas de sono sem interrupções.

generalizações bacocas

Estou farta da mensagem passada a mulheres e por mulheres que diz que cuidar de si é fazer as unhas, é comprar pincéis de maquiagem, é não sair de casa sem rímel ou tirar meia hora por mês para ir ao cabeleireiro. Farta de que me digam que cuidar de mim é comprar roupa nova, ir ao ginásio (porque cuidar de mim é emagrecer) ou começar uma dieta.

Cuidar de mim não é isso. 

ao contrário 

Vi esta fotografia da Zadie Smith, de olhar tão triste e distante, e fiquei a pensar em como há tantos meses que não penso em coisas. A vida atropela-nos e põe-nos a funcionar em piloto automático, numa espécie de sobre-vida mais que vida, sempre à espera que alguma coisa acabe para que a real vida comece e sem perceber que isto é que é a vida. E fiquei a achar que os grandes escritores, os que pensam a fundo nas coisas, não podem ter vidas e filhos e empregos porque senão não lhes sobra tempo para pensar. Não são sós porque são grandes, são grandes porque são sós.

moratória

Ainda não fiz o juramento de Hipocrates, por isso ainda posso matar dois ou três frequentadores assíduos da biblioteca que gostam de falar ao telemóvel/conversar/ouvir as notícias nos computadores sem phones, certo?

querida maria

Não sei tirar selfies, serei normal?