Category Archives: esta coisa de ter filhos

respirar fundo 

Vais inscrever o teu filho na natação e a tua principal preocupação não é escolher o melhor professor, tecnicamente, mas o melhor ao nível dos afectos. E percebes que se calhar até estás no bom caminho para seres a mãe que achas que deves ser.

(e depois até escolhes o mais giro e tudo, olhó universo a piscar-me o olho. Verde!)

andam uns pais a ralar-se para isto 

Demos-lhe tintas e plasticina e blocos e livros. Nunca lhe dissemos, quando desenha, que não é assim, que o céu é azul e não verde, que os jipes têm as rodas em baixo. Escolhemos a escola porque acredita em deixá-los brincar, não tem programa curricular, não os ensina a ler aos 3 e a escrever aos 4. 

E do que é que ele gosta? De letras e números. Obsessivamente, quer saber como se escrevem as palavras que dizemos, quer contar, quer construir números e letras em plasticina. E é isto.

guardar-te assim

Quero guardar a forma como te aninhas em mim durante a sesta, a curva da parte de trás do teu pescoço quando estás concentrado a fazer plasticina. O tom do teu não sei quando vamos pela estrada a adivinhar o que têm dentro os camiões. O teu abrir de olhos suave quando acordas e a forma como saltas logo para junto de mim. Quero guardar o som da tua voz a cantar (andas sempre sempre a cantar, quase sempre o abc), o teu sorriso, o verdadeiro e o falso que fazes quando pedimos um.

Quero guardar sempre a tua teimosia tão minha, a tua impaciência, a tua vontade de descobrir. Quero guardar-te sempre assim pequenino e meu, ao alcance dos meus beijos que ainda curam todas as tuas dores.

para mais tarde recordar #1

G., vamos ver se encontramos pinhas? 

Algures entre os arbustos.

E noutro dia,

– Obrigada por vestires-me o pijama.

2 anos e 3 meses. Saramago aos 5 anos, Joyce aos 8. Pumbas.

coração esfrangalhado

O meu coração teve duas viroses na última semana e meia. Está cansado e carente e apegou-se ainda mais à mãe. Hoje, pela primeira vez, saí de casa com ele a chorar e a implorar-me que não fosse trabalhar. 

É tão grande a culpa, tão grande a dor que me causa ser eu a fazê-lo sofrer – eu, que devia protegê-lo de tudo – que estou em lágrimas há quase uma hora. 

estatuto mãe-estudante

ou o novo paradigma da celebração até do dia da alface

Será que se lhes disser que já tenho trabalhos de casa que chegue o Infantário do meu filho desiste de me mandar mais?

uma fodinha at’ás

diz o meu filho sentado na cadeira alta, quando pede uma almofada para se encostar.

somos os bochechas, seis irmãos e um cão 

A maternidade é como uma lobotomia às vezes.