Category Archives: telhas de grávida

foda-se

Às duas semanas sem estar grávida tinha menos 9kg. A barriga terá sempre as marcas de lá dentro se ter feito vida e fico feliz por isso não me angustiar. Tudo bem, tudo lindo, toda feliz. Até ir ao mercado e o velhote dos legumes me perguntar quando é que nasce a criança.

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please don’t maternize me

A próxima mãe que me disser tem calma, aproveita estes últimos dias, vais ver que vais ter saudades de o ter aí dentro leva uma resposta muito torta. Há um tempo para tudo e eu acredito que essas saudades venham. Mas não é agora o tempo delas, agora é o tempo de o querer cá fora, onde me basta olhar para ele para saber que ainda respira, onde posso pôr-lhe a mão e sentir que o coração ainda bate.

ecografia emocional

O pior desta fase não são as insónias nocturnas e o imenso sono durante o dia, não são os suores que me encharcam nem a falta de posição, não é o peso da barriga nem as dores nas costas nem a ansiedade da espera. São aqueles minutos de manhã, ao acordar, quando ele ainda não deu sinal de continuar ali, vivo e bem. Aqueles breves instantes em que pensamos que se calhar foi desta que aconteceu uma desgraça neste ovo que trazemos logo abaixo do coração e que devia vir com janela.

a pílula da sabedoria

Gosto muito desta lista da Pipoca e da respectiva continuação (que querem, a Pipoca grávida é quase minha irmã gémea, já o tinha dito num post há uns meses atrás, de forma encapotada e envergonhada mas olhem, quem tem vergonhas passa mal e para isso já me chega a barriga). Identifico-me com quase todos os itens como boas regras de conduta para quando tiver filhos não me tornar numa daquelas mães.

Mas a regra número 1, aquela que vou fazer os possíveis por seguir a todo o custo, é não dizer a não-mães “ah, tu sabes lá, quando tiveres filhos vais ver”. É a coisa mais injusta e idiota de se dizer. E errada, porque ter filhos não é um livre trânsito para fazermos ou deixarmos de fazer coisas que não nos apetece mas são importantes para outros (supostamente) importantes para nós. Não é um livre conduto para deixarmos de ser pessoas em sociedade, com papéis e direitos e deveres sociais. Não é carta branca para esquecermos o que é estar no lugar do outro, para deixarmos de ser mulheres e pessoas, para perdermos o amor próprio e a empatia. Não é a pílula da sabedoria e todas as outras mulheres, coitadas, não percebem nada disto.

Portanto, a horas ou dias (olhem, se souberem esta engulo já tudo o que disse acima!) de parir, esta é também a mãe que eu quero ser.

sisterhood of the flying panties

Chegas a uma fase da gravidez e só queres que a coisa acabe. Já não há posição para nada, sair da banheira é mais perigoso que atravessar uma auto-estrada a pé e já não consegues calçar nada que implique ajuda das mãos. E é nesta fase que toda a gente te dá conselhos: sobe escadas, limpa a casa (aquela coisa que eu já ADORO fazer quando tenho energia, está-se mesmo a ver), vai correr, come coisas picantes, toma óleo de rícino (não tomem! ajuda, mas vão passar horas na casa de banho), dança, salta, rebola, faz de morta. Se o puto não sai a bem, cansa-o até que ele escorregue por ali abaixo, claramente.

Mas o conselho mais transversal é o sexo. De repente toda a gente te fala de sexo. Como se, por não ser pelo prazer, para a javardice, o sexo se tornasse numa espécie de remédio que se toma. Afinal, serve um propósito maior, mandar vir o puto de Paris. De repente dás por ti e fazes parte de uma irmandade secreta qualquer, a távola redonda dos cavaleiros de Sir Hump-a-lot, gente que parece ter passado os últimos dias da gravidez em alegre maluqueira. E tu cheia de vontade de te enfiar numa banheira morna e adormecer até acordar com as contracções.

Dizem os estudos que sim, que o sexo ajuda. Por três razões: ajuda a produzir oxitocina, a “hormona do amor”, que é a mesma responsável pelo início do trabalho de parto; o orgasmo induz contracções uterinas que podem dar um empurrãozinho para a coisa começar e o sémen é rico em prostaglandinas, compostos que ajudam a amadurecer o colo do útero. De todos os métodos caseiros, parece ser o mais eficaz, diz a literatura. Por isso, grávidas, amaluquem para aí. Se conseguirem e estiverem para aí viradas, que com a barriga, as pernas inchadas, a falta de ar, a azia e todas as outras maravilhas que os 9 meses de gravidez trazem, é natural que não vos apeteça lá muito.

é tudo dos nervios

Esta espera está a fazer-me uma úrsula no diodeno.

dos mitos que se perpetuam

Gosto muito das grávidas que acham que o creme barral ou outro qualquer vão impedir que surjam estrias, acho-as muito fofinhas. Ainda hoje encontrei mais duas.

ordem de despejo

Várias máquinas de roupa lavada e estendida, uma manhã inteira a cozinhar, colchão virado, cama de lavado, muitos andares de escadas subidos e descidos. Já não sei que mais fazer para pôr o puto cá fora.