Monthly Archives: Fevereiro 2015

antes do adeus

Faz esta noite 3 anos, o princípio do fim. Não foi o princípio, tudo começa muito antes de percebermos que começou. Mas foi e será sempre o princípio.

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o passo em frente na beira do abismo

Bebés de ano e meio de chupa-chupa na boca. Bebés de ano e pouco a comer palmiers com chocolate ao pequeno-almoço. Comida para bebés feita com caldos Knorr. Crianças de 6 anos a lanchar batatas fritas de pacote, na sala de espera do pediatra.

E consultas a rebentar de diabéticos, obesos, hipertensos.

explicar o sns

Vamos imaginar que o vosso filho fazia anos e levava um bolo para a escola, para repartir pelos colegas. Para chegar para todos, tinha de cortar fatias fininhas e se calhar havia alguns meninos que ficavam menos saciados.

Isto é o SNS explicado de forma simplista e um bocado linear. Mas o SNS é assim. Para ser universal e poder dar, potencialmente, os mesmos tratamentos a toda a gente, não pode dar os tratamentos mais caros. É por isso que os fármacos de quimioterapia usados em Portugal não são os de última linha – se fossem, só podíamos tratar uma fracção dos doentes que tratamos agora. São fármacos bons, com uma taxa de eficácia elevada, mas não são os topo de gama.
Esta é a realidade do nosso SNS. O mal é ser uma realidade escondida, encapotada, e não admitida frontalmente. Não explicada às pessoas, de forma clara e simples mas sobretudo honesta.
É isto que depois dá origem a polémicas e mal-entendidos. Admitindo que o primeiro ministro não escolheu bem as palavras e não se soube explicar, o que ele disse é verdade e é verdade todos os dias: não salvamos e não podemos salvar vidas a qualquer custo. Porque para disponibilizar um tratamento para uns temos de ser capazes de, se necessário, o disponibilizar para todos. É isto a igualdade e universalidade de acesso aos cuidados e é um dos custos necessários de um sistema gratuito.